Os 83 anos de Umberto Eco

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Conhecido por seus romances que misturam romance policial com temas históricos, Umberto Eco também desenvolveu uma importante carreira como acadêmico.

umberto eco.jpgUmberto Eco, filósofo, semiólogo, linguista e um dos mais aclamados escritores de renome mundial, completou mais um ano de vida esta semana, dia 5. Ao longo de seus 83 anos desenvolveu diversas pesquisas na área da literatura e linguística, dentre elas a coletânea de ensaios Obra Aberta (1962), onde foca na relação entre a poética contemporânea e a pluralidade de significados, definindo o conceito onde uma obra de arte se dissemina por muitos outros caminhos, ampliando assim seu universo de definições e conceitos:

“A poética da obra ‘aberta’ tende, como diz Pousseur, a promover no intérprete ‘atos de liberdade consciente’, pô-lo como centro ativo de uma rede de relações inesgotáveis, entre as quais ele instaura sua própria forma, sem ser determinado por uma necessidade que lhe prescreva os modos definitivos de organização da obra fruída;” (ECO, p. 41)

Certamente muitas pessoas, mesmo não sendo da área literária, conhecem Eco por seu mais famoso romance, O nome da rosa (1980), a qual o tornou um autor mundialmente conhecido. Se não for pela obra, o leitor se lembrará que tal romance foi adaptado para o cinema no ano de 1986, com direção de Jean-Jacques Annaud e protagonizado pelos atores Sean Connery e Christian Slater. O enredo, que se passa na Era Medieval, narra toda a restrição imposta pelo catolicismo na época quanto ao conhecimento, novas formas de pensamento humano e a própria imagem de Deus. Além disso, uma série de crimes começam a rodear o mosteiro, levantando hipóteses e despertando no leitor um sentimento de crítica perante todos os eventos apresentados. Como todo bom clássico, podemos perceber que vários elementos presentes nesta obra podem muito bem ser utilizados em nosso tempo presente, mesmo tendo passado anos da publicação da obra e séculos do ambiente do enredo. O próprio título do livro despertou curiosidade quanto ao seu real significado, mas Eco afirmou que foi apenas uma forma de dar ao leitor total liberdade de interpretar a obra.

“Nem todas as verdades são para todos os ouvidos. Nem todas as mentiras podem ser suportadas.”