Os homens de Austen e o frisson nas mulheres

3
1730

Se existe algo que é consenso nas obras de Jane Austen é que tão bem construídos quanto as mulheres são os homens com quem elas se casam no final. Embora o Sr. Darcy seja mais popular, até pelo fato de Orgulho e Preconceito ter se popularizado ainda mais nos últimos dez anos, as leitoras sabem que existe muito ouro dentro dos personagens menos explorados. Este post, então, será dedicado a lembrar o percurso dos heróis de Austen e por que são especiais.

 

Razão e Sensibilidade – Edward Ferrars e Coronel Brandon

coronel-brandon
Coronel Brandon (Alan Rickman), na adaptação de Razão e Sensibilidade

Eu tenho dificuldade de gostar totalmente do Sr. Ferrars. Sou tão fã da Elinor Dashwood, que se mantém firme como uma rocha, sustentando a família destroçada pela morte do pai e avareza de Fanny Dashwood, que não consigo aceitar bem o fato de que ele era noivo escondido. No entanto, a redenção dele acontece no final, quando mesmo sabendo o quanto está em descrédito, se esforça para ir até Elinor, pedir para casar com ela. Aliás, a redenção parece ser uma das características mais fortes nos heróis de Austen. Veremos mais sobre, adiante.

Quanto ao Coronel Brandon, acho quase impossível não admirar o quanto ele é constante e, ao mesmo tempo, abnegado. Percebe, com clareza, que Marianne não tem interesse nenhum nele, e a deixa livre para se envolver com Willoughby. Mas isso não impede que ele continue nutrindo o amor que sente por ela. Brandon equilibra a solidez de seu sentimento com o desejo de felicidade de Marianne.

 

Orgulho e Preconceito – Fitzwilliam Darcy

Pride and Prejudice
Fitzwilliam Darcy (Colin Firth) na adaptação de Orgulho e Preconceito

Como falar de Darcy? Interpretado por galãs no cinema, ele se consolidou como um dos sonhos de consumo das leitoras por todo o mundo. Não sei dizer o que Jane pensaria de ver o arrogante e preconceituoso Darcy, que começa a trama sendo o resumo de tudo que ela claramente desprezava na sociedade em que vivia, sendo tão adorado. Claro, a redenção (olha lá, de novo!) faz com que ele mereça o status que conseguiu e seu amor por Elizabeth se mostra forte e genuíno, mesmo contra tudo aquilo que ele fora ensinado a buscar para si. Fora que, convenhamos, ser genro da Sra. Bennet, por si só, é uma prova de amor.

Fica, aqui, uma menção honrosa ao doce e honesto Sr. Bingley, um dos personagens mais queridos para mim por sua ingenuidade e incapacidade de não gostar de alguém (assim como Jane Bennet).

 

Emma – George Knightley

Jonny Lee Miller
George Knightley (Jonny Lee Miller) na adaptação de Emma

Pausa para a tietagem: este é o meu herói favorito; gosto mais dele que de Darcy em alguns pontos, mas classifico os dois empatados em preferência no primeiro lugar. Knightley é um dos agentes do amadurecimento de Emma – algo que o torna semelhante a Tilney, de A abadia de Northanger – e, embora seja apaixonado por ela, isso não o torna cego aos absurdos que ela pensa ou faz (algo que Brandon é, de certa forma. Como seria Marianne se Knightley estivesse no lugar de Brandon? Olha só, que coisa…). Um dos heróis que não tem do que se redimir, ele é duro e firme o livro todo para, no final, mostrar toda sua delicadeza e afeto.

 

Mansfield Park – Edmund Bertram

Blake Ritson
Edmund Bertram (Blake Ritson) na adaptação de Mansfield Park

Aqui temos um problema. Na minha opinião, Edmund nunca se apaixonou por Fanny Price. #polêmica. Quando li Mansfield Park pela primeira vez, me esforcei para encontrar traços que dissessem que ele sempre tinha amado Fanny, sem saber. Mas na segunda leitura, não deu mais para evitar. O doce primo, carinhoso e compreensivo, ganha nosso coração por ser basicamente o único a ver em Fanny uma pessoa, com sentimentos e opiniões. Por afinidade e por proximidade, o casamento deles é natural e mostra que mesmo a conveniência na hora de casar não é tão ruim quanto pode parecer. Estou aberta a quem possa me convencer de que o querido Bertram ama Fanny como mulher, de verdade mesmo.

 

A abadia de Northanger – Henry Tilney

JJ Feild
Henry Tilney (J.J. Feild) na adaptação de A abadia de Northanger

Bem-humorado, inteligente, bonito e carismático. Como se não bastasse, ainda se dispõe a guiar sutilmente a inexperiente Catherine Morland. Além disso, é uma das poucas figuras honestas do livro todo, que é permeado pela falsidade, jogo de interesses e aparências. Tilney, no entanto, prefere não ser tão popular a se fazer de interessante para a aristocracia hipócrita de Bath. Henry Tilney estaria na moda até nos dias de hoje, se querem saber, pois o que ele tem de bom está em falta ainda.

 

Persuasão – Capitão Wentworth

Rupert William Penry-Jones
Capitão Wentworth (Rupert William Penry-Jones) na adaptação de Persuasão

Sempre tive certa ressalva com o Capitão. Aprendi a gostar dele há pouco tempo, de tanto que seu ressentimento por ter sido abandonado me incomodava. Só quando percebi que tudo que ele fazia por estar magoado era proporcional ao amor que nunca tinha acabado que entendi o quão delicado este personagem é. Apaixonado e magoado, Wentworth é corajoso ao reassumir seu sentimento por Anne Elliot, mesmo que ela o tenha rejeitado por ser pobre uma vez. Merece nosso amor.

Comente contando qual é o seu herói favorito, qual você menos gosta, e o porquê!

Nota: as opiniões sobre a aparência dos personagens não se baseiam nos atores das adaptações das obras de Jane Austen.