A criança que fui e o editor do Homo Literatus que me tornei

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Vilto_Estante

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Hoje é 31 de dezembro – aquele dia de lembrar de algo nostálgico, geralmente hipócrita. Vou tentar ser sincero.

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Por volta dos seis anos, a criança é a terceira menor de sua turma. Tem dificuldade de fazer amigos. Seu primeiro boletim vem com a seguinte informação: “não consegue se relacionar com os colegas de classe.”

Com algum tipo de piada-arcaica, um dos tios então se aproxima e indaga: “do que você tem medo?”

A criança, que anos mais tarde criaria o Homo Literatus, responde com a cabeça baixa: “de ficar sem amigos.”

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“Sessenta” é um número importante para o Homo Literatus, pois temos mais de sessenta colaboradores (brasileiros e portugueses) e no decorrer de 2014, tivemos sempre acima sessenta mil visitas únicas no site por mês.

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Qual a relação da criança sem amigos com o editor do Homo Literatus (além de serem a mesma pessoa, evidentemente)?

A resposta perpassa por algo fundamental para este site que você lê: o Homo Literatus é um encontro de pessoas, de leitores que escrevem, de gente que quer colaborar na divulgação da literatura – ou seja, levar outros a serem infectados por este vírus da leitura.

Um colaborador escreve seu texto, depois salva no painel do site, onde o post será revisado por um dos membros da equipe de revisores, até que este editor que vos escreve, ou um dentre os dois outros coeditores, postará a matéria e a divulgará nas redes sociais.

podcast 30:MIN é feito por uma equipe que seleciona assuntos, grava, edita, divulga e publica. A Arte de Contar Histórias Por Escrito tem mais estudo e preparação que muito curso universitário por aí. Os contos ilustrados passam por leitura crítica, revisão e ilustração antes de aparecer no site. E a Nauttilus, nossa loja, para se manter no curso, exige o sangue de vários marujos.

Após a experiência do Homo Literatus, jamais me daria ao trabalho de começar um blog sozinho. Como eu gosto de brincar, se eu tenho um talento é o de tropeçar nas pessoas certas e conseguir convencê-las a trabalhar comigo – e nem isso posso mais dizer, pois agora temos um coolhunter para selecionar novos colaboradores.

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O que o editor do Homo Literatus diria para o menino de seis anos que tinha medo de ficar sem amigos?

“Não se faz nada realmente sem amigos. Mas se você se propõe a fazer, os amigos aparecem.”