Pensando Junto: Como você incentivaria um jovem estudante a ler? – Gabriel Gaspar

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Antes do tema de hoje, vamos a um rápido feedback da semana passada

Feedback

No último post, fizemos uma comparação entre a chamada literatura crítica e a literatura de entretenimento. Pelos comentários, vemos que a maioria dos leitores (assim como eu mesmo), preferem aqueles livros que caminham na corda bamba entre esses dois gêneros. Que isso sirva de inspiração para os jovens escritores: tentem escrever um livro que não seja nem chato e raso (como um prato), mas profundo e divertido (como… sei lá! Uma piscina, talvez).

Outro ponto importante foi ajudar a acabar (ou pelo menos diminuir) com a discriminação que existiam entre os fãs dos dois gêneros. Cada uma tem a sua utilidade e a sua hora para ler. Hora de se divertir é hora de se divertir. Hora de aprender é hora de aprender. E, se for possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo, um tanto melhor!

Mais uma vez, muito obrigado a todos que comentaram. Vamos agora ao tema da semana.

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Como você incentivaria um jovem estudante a ler?

Eu poderia dizer que o sistema de ensino atual incentiva os alunos a lerem os livros clássicos. Sim, poderia dizer – mas estaria mentindo. Me aproximaria mais da verdade dizendo que o sistema de ensino atual obriga os alunos a lerem os livros clássicos. Com certeza essa frase está mais próxima da verdade. Mas não podemos esquecer que ainda existe uma distância entre objetos que se encontram próximos um do outro, assim como há uma distância entre intenção e realidade. Grande parte dos estudantes otimizam seu tempo (embora possa ser questionada a utilização do verbo otimizar nesse contexto) lendo apenas resumos dos livros de leitura obrigatória. Assim, creio que a verdade seria: o sistema de ensino atual tenta em vão obrigar os alunos a lerem livros clássicos. (Existe ainda a distância entre o que eu creio e o que é verdade, mas, diabos, não é sobre isso esse post.)

A leitura é um processo que exige esforço do leitor para absorver a história. Diferentemente da música, para ficar em um exemplo, em que basta não ser surdo para absorver o trabalho do artista. Obrigar alguém a ler algo que ela não deseja – ou simplesmente não está pronto para aquilo – é uma tarefa penosa tanto para quem obriga, quanto para o leitor obrigado.

Obrigar jovens de 13 ou 14 anos a lerem grandes clássicos da literatura mundial ou nacional – livros que abordam o comportamento humano e que são analisados por estudiosos décadas após décadas – muitas vezes não é diferente de obrigar uma lagarta a voar. Calma, jovem de 13 ou 14 anos. Eu não estou chamando você de lagarta. É só uma comparação. Raios, tenho que explicar tudo! Eu usei o “muitas vezes” e, se você já consegue ler e compreender (ao menos parcialmente) os grandes clássicos, parabéns! Você já é uma borboleta!

Mas a maioria dos jovens ainda não está preparada para tal tipo de literatura, não por falta de inteligência ou de qualquer outra atributo, mas simplesmente por ainda não ter experiência de vida necessária para – mais que entender – se envolver com determinadas situações.

Assim, muitas vezes não compreendendo, os jovens criam um sentimento de horror à literatura em geral – como ler qualquer livro fosse uma tarefa penosa. E como culpá-los, se todo livro que eles leram foram penosos e incompreensíveis para eles? E, dessa forma, vamos criando uma nação inteira de pessoas que têm aversão à leitura. E, apesar dos esforços e boas intenções de nossos professores, o que acaba havendo é um desserviço à literatura.

O que fazer então? O que eu posso propor é que o sistema de ensino incentive os alunos a lerem. Só isso. Um jovem na pré-adolescência deve ler algo que seja de seu contexto, de seu universo. Talvez deixar ele escolher o que deseja ler. Uma leitura guiada pelo prazer. No futuro, pode ser que alguns procurem a literatura mais clássica, quando estiverem preparados para ela. Mas, antes de lerem os grandes clássicos, eles devem primeiro desenvolver o gosto pela leitura. E, dificilmente alguém tira prazer de uma atividade quando se tem grilhões nos pés.

E você leitor? Coloque-se agora, magicamente, na tão criticada posição de Ministro da Cultura e me responda. O que você faria para incentivar os jovens a lerem?

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