Preconceito: duas versões literárias para crianças

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Entre os meus livros muito bem guardados (ciumenta eu) e da mesma forma muito utilizados em sala de aula, encontrei dois títulos de dois autores diferentes que abordam o preconceito: O Caso dos Brinquedos Trocados, de Leila Pereira – ilustrações de Jorge Herrmann (Editora Castelo) –  e O fusquinha cor-de-rosa, de Caio Riter – ilustrações de Elma (Editora Paulinas). As duas obras tratam sobre a questão: Menino X Menina. Menino pode brincar com brinquedos de menina? Meninas podem se divertir com brinquedos de meninos? Há brinquedos só para os meninos e outros somente para as meninas?

Bem, a partir desses questionamentos, Leila e Caio trazem para os leitores, mirins ou não, duas belas obras que podem ser utilizadas tanto na sala de aula quanto em casa.

O Caso dos Brinquedos Trocados traz uma narrativa que envolve duas meninas e dois meninos que, na época do Natal, fazem seus pedidos a Papai Noel, mas os brinquedos são trocados por um Duende na hora de levar os presentes e cada um recebe o presente do outro amigo. O que fazer quando uma menina ganha uma bola de futebol? Ou quando um menino ganha uma coleção de livros?

Já em O fusquinha cor-de-rosa, o autor traz, entre vários, um brinquedo especial: um fusquinha cor-de-rosa; e então, como resolver esse drama? Fusquinha é brinquedo de menino, mas cor-de-rosa é cor de menina. E agora? Aqui, Caio personifica o fusquinha, dando-lhe sentimento, o sentimento de frustração, pois é deixado de lado pelas suas características e, dessa forma, ninguém quer brincar com ele.

Duas obras e um drama. Duas formas de pensar e refletir sobre o preconceito.

Leila e Caio souberam trazer à tona uma questão muito delicada de ser abordada tanto na escola quanto em casa e que mexe com o universo infantil e suas inquietações acerca das ‘regras’ dos adultos e da sociedade. Ambas trazem uma linguagem de fácil compreensão e muito estimulante para o público que se aventura pelos caminhos da literatura infantil.

Em suma, os dois livros não são, definitivamente, obras que têm data marcada para o seu fim, pois o tema é universal e não se esgota, sendo motivo de muita reflexão e indagações não apenas pela criançada, mas pelos adultos também.

Agora, convido a todos a lerem esses dois livros e descobrirem como termina esse drama. Qual é o seu palpite?