Procurando algo pra ler? Recomendo “Aos 7 e aos 40”

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Vira e mexe alguém me pede dicas de escritores brasileiros “de agora”. Ou seja, algum que ainda esteja vivo, na ativa, falando de “coisas atuais”, ou de “um jeito atual”. Tudo isso é muito relativo, claro, (de um certo modo, Oswald de Andrade ainda é mais “atual” que a maioria de nós), mas entendo o que a pessoa quis dizer. Na verdade, trata-se também de um outro problema da literatura brasileira como um todo: ela deixou de fazer parte da rotina comum das pessoas, então quando se fala em escritores brasileiros, parece que estamos falando automaticamente de alguém que já está morto há um certo tempo; um daqueles senhores de paletó e óculos que caem no vestibular.

Mas não é nada disso. A coisa nunca parou, e continuamos com nosso time de escritores e nossa produção literária constantemente renovados. Então, se você também está nessa de querer conhecer um pouco da literatura atual (e eu recomendo que o faça!), aqui vai uma bela dica:

aos7eaos40Procure Aos 7 e aos 40, de João Anzanello Carrascoza, em uma livraria. Você vai achar a capa bonita, o que o instigará a abrir o livro. À primeira vista, vai chamar sua atenção a divisão das páginas em duas seções na horizontal: ora o texto fica na parte de cima, ora na de baixo. Se você leu um pouco da sinopse, pode presumir que esse contraste se refere aos capítulos em que a vida do protagonista é focada aos sete ou aos quarenta anos de idade.

Conforme observa o projeto gráfico diferenciado, dê aquela “passada de olho” também pelo texto. Provavelmente você encontrará algo da poesia que é abundante na prosa de Carrascoza, e vai sentir aquela vontade de ler mais. É aí que você acaba passando o livro na frente de toda aquela fila de leituras que podem estar te esperando. Aconteceu comigo.

Ao ler o livro inteiro, você percebe sua beleza, muitas vezes nos detalhes. Se você também escreve, é bem capaz de sair de sua leitura com um novo olhar sobre o uso das palavras, sobre o quanto elas podem voar mais alto. Isso também aconteceu comigo: trabalhando em meu novo livro, escrevi algumas frases que pensei na hora: “Ah, isso veio lá do Carrascoza”. Não sei se posso fazer elogios muito maiores a um escritor do que dizer que ele me fez escrever melhor.