Quando eu fui pra Marte – parte II (final) – William Glück

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Caso você não tenha lido a parte 1, clique aqui e leia.

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Decisão tomada, banho tomado, café por tomar! Não lembro de ter arrumado as malas,  muito menos da viagem de ida. Devo ter dormido o caminho todo, típico eu em viagem. Só lembro que evitei levar roupas brancas… Não me parecia uma boa ideia ao se visitar um planeta que parecia feito de barro.

– Quero ver o Olympus – eu disse pro guia turístico. Sim, não me pergunte como, mas eu tinha conseguido um guia turístico pra Marte. Um senhor idoso que vivia repetindo que era um dos astrônomos que descobriu a 16ª lua de Plutão.

– O Olympus é a montanha mais alta do sistema solar…ela tem uma altura de 21 quilômetros e….

Depois do guia me passar uma descrição completa da montanha nos dirigimos pra lá. No meio do caminho olhei a minha direita e vi uma planície enorme, mas enorme mesmo! De tão grande dava pra ver a curvatura do planeta. Avistei ao longe a estrutura enorme de metal que o senhorzinho tinha me contado. A história dele me parecia meio sem pé nem cabeça agora; veio até Marte junto com a Curiosity? Quão impossível é isso? Mas meus olhos confirmavam a veracidade dela, sem mais.

Chegando no topo do Olympus vi uma turma jogando Vôlei. Não que seja meu esporte favorito, mas como o sol ainda estava alto no céu (sol que era uma cabeça de palito de fósforo de tão pequeno e fraquinho no céu) decidi me juntar. A única recomendação que recebi foi de uma menina de cabelo roxo despenteado:

– Sem saque alto, senão a bola escapa!

Jogamos até que uma tempestade se formou no horizonte; mesmo sabendo da irrelevância de uma tempestade num planeta  com atmosfera rarefeita me pareceu melhor ir pro carro.

– Traumas que o planeta Terra deixa na gente – comentou o guia.

Entrei no carro e de relance vi no espelho minha barba cheia de pó…
Não teve muita explicação, mas como num click eu entendi:

– Eu to sonhando..

O guia me olhou sério… Mas não negou. Sempre me perguntei qual seria a reação de um “personagem” que soubesse que tudo era um sonho. Nada fazia muito sentido. O senhorzinho, a partida de Vôlei, o guia e a falta de uma roupa adequada.

Aproveitei meus últimos momentos de sonho visitando a tal estrutura de ferro, e fiquei por lá até acordar.
Pena que sonho realizado em sonho continua sonho.