Quinta da Poesia – Fragmentos

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Nem sempre leio tudo na íntegra, tenho um modo quase Quintana de ler. Muitas vezes leio apenas até refletir, outras sentir, o que torna a leitura válida e plena de sentido. Ler por ler não me apetece, desejo mais, entro “na pira” com o autor, penso com ele, sinto com ele. Por outras vezes discordo, brigo, xingo. Enfim, até mesmo amo ele.

Mesmo sendo um ser integral e tendo uma visão integral do ser humano, por vezes preciso repensar coisas específicas, situações, minúcias, recorro então a quebrar meu vaso, e deixar que o Oleiro cole os fragmentos… então o que resta para hoje no Quinta são fragmentos que amei, espero que os poetas envolvidos apreciem esta versão ezquisotípica que fiz da obra deles. As reticências estarão lá, pois para outros sei que as obras continuam…

A não procura da poesia

Não vou abusar da poesia
Não vou sair por aí,
Atinando,
Ver se encontro poesia

Leonam Cunha

Na real a primeira frase me impactou, assim que a li/declamei na companhia do autor, vislumbrei algo que eu não poderia fazer. Porém, como a estava declamando continuei.Postei um pouco mais, pois bem sei que é algo que não irei fazer. Deixo então a poesia livre, e ela virá ao meu encontro.

Faz Frio 

Viro os olhos enquanto durmo.
Não estou em casa.
Alguma vez estive?
Não sei o que é casa.

Tassia Accioly

Bah, “longe de casa, a milhas e milhas”… Os dois poetas acima são brasileiros que conheci em um hostel na cidade de Buenos Aires. A distância traz reflexões que nos saltam os olhos. Estamos cegados pela rotina, acomodados em nossos afazeres, por vezes não percebemos que os sonhos que temos podem ser passageiros, sonhos antigos podem retornar, novos sonhos podem surgir. Portanto: o que é casa?

Re(solução)

“Acreditar na intuição
Ou viver da razão?

O mundo grita a resposta
Meu universo autista me deixa surda
Eis a questão

Estou condenada a vida
Estou condenada a liberdade”

Júlia Helena

Antes deste fragmento alguns estruturalistas/toc deveriam estar pensando que eu iria atuar no padrão “quadra”, mas não é meu foco, aliás em poesia não tenho foco, apenas fluo, fruo. Além disso, tenho um chamado a liberdade, por mais que muitas vezes eu busque me prender a ilusões, rotinas e vaidades desta vida, minha alma clama por liberdade, e é guiada pela Vida. E a sua?

Fragmentos

Não existo, apenas sou
fruto do pó, e que para trás
sigo a deixar pó, carne dilacerada
alma despedaçada, brilha o sol
me faço novo, vaso novo
sonho presente, andar ausente
na cruz estou.

Juliano Rodrigues

Espero que tenham se deliciado com estes fragmentos, compartilhem conosco os vossos! Durante as quintas acontece este sarau virtual! Envie seus poemas para [email protected] . Vivam, amem, sintam, comentem e compartilhem poesia!