Resenha: À Procura de Kadath – H.P. Lovecraft

0
1010

À Procura de Kadath, da editora Iluminuras, é uma coletânea de seis contos do grande escritor de terror H.P. Lovecraft.

“Foi-lhe ensinado quão infantil e limitada é a noção de um mundo tridimensional e a infinidade de direções existentes além das direções conhecidas: para cima-para baixo, para a frente-para trás, direita-esquerda.
[…] Embora a maioria das impressões se traduzisse em palavras para Carter, outras haviam que era interpretadas por seus sentidos. Ora com os olhos, ora com a imaginação, percebeu que estava numa região de dimensões além das concebíveis para o olhar e o cérebro do homem”.

O conto que dá título ao livro é também o primeiro, e o mais longo, da coletânea. À Procura de Kadath narra a história da empreitada de Randolph Carter no mundo onírico em busca de uma maravilhosa cidade, com a qual havia sonhado por três vezes, mas os deuses a esconderam dele para que nunca mais a visse. O conto passeia pelo fantástico mundo criado por Lovecraft, com suas cidades incríveis e personangens complexos, como o caos rastejante Nyarlathotep.

Celephais, o segundo conto do livro, relata a história de Kuranes,um escritor que vivia em busca da beleza que encontrou no mundo onírico de seus sonhos.

Em A Chave de Prata, Lovecraft volta a falar do personagem Randolph Carter, agora com trinta anos. O conto mostra um Carter que passa a perder a capacidade de sonhar, até que em um sonho seu tio-avô Edmund Carter lhe fala de uma caixa com uma chave, e então a aventura começa e acontece alguma coisa muito estranha e incrível com Randolph.

No conto Através dos Portais da Chave de Prata, o escritor relata a estranha reunião em que se definiria o que fazer com os bens de Randolph Carter, desaparecido há alguns anos. Neste contexto, surge um estranho indiano, Swami Chandraputra, o qual relata a jornada de Carter depois do Portal da Chave de Prata. O conto é sensacional, desprendendo-se do tangível e nos conduzindo a um final inusitado.

Já em A Nau Branca, Lovecraft relata a história de Basil Elton, guardião do farol do Cabo Norte. A história foca-se no personagem principal e o homem barbado que comandava a Nau Branca.

A Estranha Casa entre as Brumas talvez seja o conto mais assustador do livro, na minha opinião. O conto fala de uma estranha casa que ergue-se num penhasco além de Kingsport, que é coberta por uma Bruma, mas ninguém jamais foi até aquele lugar, apesar de se ouvirem sons ali a noite; até que o pacato filósofo Thomas Olney decidiu ir até lá. Aí começa o inominável horror lovecraftiano.

Em suma, é isso. Deixo uma outra citação do livro que gostei bastante:

“O encantamento se fora e ele havia esquecido que a vida toda não de um conjunto de imagens no cérebro, entre as quais não se diferenciam as que resultam de coisas reais e as que nascem de sonhos interiores, e que não há motivo para valorizar mais umas do que outras. O hábito entorpecera seus ouvidos com uma supersticiosa reverência por tudo que tivesse uma existência física e tangível e o tornara intimamente envergonhado de viver num mundo fictício”.