Resenha: Alice no País das Maravilhas – Lewis Carroll

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O livro conta a história de Alice, num dia qualquer a pequena vê um coelho comum com um relógio na mão dizendo que está atrasado. A aventura começa aí. Tudo o que você não deve esperar: lógica. A maioria pensa que Alice no país das maravilhas é um livro escrito para crianças, na verdade, por sugestão do editor, o livro não tinha nenhuma indicação de ser infantil e acabou se tornando um clássico mundial.

Os personagens são sensacionais, depois de Alice o que mais gosto é do Chapeleiro, ele é irreverente, ousado e incrivelmente inteligente. “Qual a diferença entre um corvo e uma escrivaninha? Não sei! Nem eu!” Essa é clássica frase deste incrível personagem.

Vale a pena lê-lo, mas principalmente entender as entrelinhas do texto, para se ter uma base deixarei duas citações, divirtam-se:

“Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para sair daqui?”
“Isso depende bastante de onde você quer chegar”, disse o Gato.
“O lugar não me importa muito…”, disse Alice.
“Então não importa que caminho você vai tomar”, disse o Gato.
“… desde que eu chegue a algum lugar”, acrescentou Alice em forma de explicação.
“Oh, você vai certamente chegar a algum lugar”, disse o Gato, “se caminhar bastante.”
Alice sentiu que não tinha como negar esta pergunta… (Pág. 84)

“Tome mais chá”, disse a Lebre de Março para Alice, muito séria.
“Ainda não tomei nenhuma xícara”, respondeu Alice num tom ofendido, “por isso não posso tomar mais.”
“Você quer dizer que não pode tomar menos”, disse o Chapeleiro, “é muito fácil tomar mais do que nada. (Pág. 99)

2 COMENTÁRIOS

  1. Uma lindíssima edição de Alice no País das Maravilhas é a da Cosac Naify, com tradução do historiador e professor da Universidade de Harvard Nicolau Sevcenko e ilustrações de Luiz Zerbini.
    “Essa é a segunda vez que Sevcenko se debruça sobre o universo de Carroll. Sua tradução é cheia de bons achados, e o melhor: é fluída e não se volta nem para um tom cerimonioso ou para uma perspectiva infantil. Sua percepção do que Carroll escreveu fica no meio-termo entre o adulto e o infantil (ou o lúdico, se você assim preferir). Nas entrevistas que concedeu, o tradutor demonstrou a melhor credencial para reconstruir a linguagem do escritor – o entendimento do ethos por trás da história.
    “O livro apresenta um mundo atravessado de irracionalidade, de situações absurdas e de diálogos desconcertantes, e, no entanto, é movido por uma lógica política implacável. Ele representa uma ordem opressiva em que prevalecem a violência, o medo, a coação, as ameaças, que se impõem de cima para baixo, numa estrutura hierárquica em que os mais fracos e vulneráveis são os mais expostos a atos arbitrários. É exatamente como se sentem as crianças e os jovens, num mundo dominado por gente grande, arrogante, autoritária e brutal. É como se sentem também as pessoas pobres, os deficientes, as minorias, os estrangeiros, os imigrantes e as criaturas da natureza. Alice, não nos esqueçamos, é uma estrangeira no País das Maravilhas”, explicou o tradutor.
    Jornal do Commercio (PE) / Data: 3/1/2010

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