Resenha: Coraline – Neil Gaiman

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“- Eu juro – disse a outra mãe. – Eu juro pelo túmulo da minha mãe.
– Ela tem um túmulo? – perguntou Coraline.
– Oh, sim – disse a outra mãe. – Eu mesma a coloquei lá. E quando descobri que estava tentando arrastar-se para forra, coloquei-a de volta”.

Mais uma vez falando de um livro de um dos caras que entrou na minha lista de escritores favoritos, muito mais por seus contos do que pelos seus romances e quadrinhos.

Coraline, de Neil Gaiman, é uma espécie de “história infantil de terror”; algo como se Stephen King recontasse Alice no País das Maravilhas. O livro fala da pequena Coraline que depois de se mudar para o novo apartamento; e explorar quase tudo por dentro e por fora; descobre uma porta no quarto onde eles guardam a herança da avó. Na mesma casa, moram outras pessoas peculiares, já que o casarão foi dividido em partes e alugado. Coraline precipita-se por esta porta e lá encontra um mundo que é exatamente, ou quase isso, o reflexo do seu. Lá ela encontra uma “outra mãe” e “um outro pai”, porém estes em lugar de olhos têm botões. Ao contrário de seus pais, que quase na lhe dão atenção, estes lhe dão toda; fazendo o possível para que ela fique ali.

“- Você realmente não entende, não é? – disse. – Eu não quero tudo o que eu quiser. Ninguém quer. Não realmente. Que graça teria ter tudo o que se deseja? Em um piscar de olhos e sem o menos sentido. E daí?”

A história, que parece simples e infantil, começa a ganhar seus contornos darks que as histórias de Gaiman sempre carregam, porém têm seus alívios de tensão nos divertidos e inusitados diálogos que o autor cria.

– Gatos não têm nomes – disse.
– Não? – Perguntou Coraline.
– Não – respondeu o gato. – Agora, vocês pessoas têm nomes. Isso é porque vocês não sabem quem vocês são. Nós sabemos quem somos, portanto não precisamos de nomes.

Embora eu prefira bem mais O Livro do Cemitério na categoria de livros infantis do autor, Coraline é uma boa pedida para uma leitura rápida e divertida, Alá Neil Gaiman.