Resenha: Fahrenheit 451 – Ray Bradbury

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Ray Bradbury

Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, apresenta um mundo num possível futuro distópico. Mas neste futuro, não vemos naves espaciais ou robôs andando livremente nas ruas como se poderia esperar de um autor de ficção científica, como Bradbury. O que vemos é uma realidade muito semelhante à nossa, com uma pequena diferença, ou não, as pessoas não leem. A sociedade é simplesmente guiada pelo entretenimento.  Neste contexto, surge o personagem principal, Montag, um bombeiro; classe que tem uma característica muito peculiar, eles acendem o fogo, não nas casas que são a prova de fogo, mas nos livros, assim que um foco é identificado. Montag passa a conversar com uma figura intrigante do livro, a vizinha Clarisse McClellan, que lhe incute o prazer de coisas simples e espontâneas.

Num dos trechos, o chefe dos bombeiros, Beatty, conta a Montag como as coisas chegaram a este ponto:

“Os bombeiros raramente são necessários. O próprio público deixou de ler por decisão própria. Vocês, bombeiros, de vez em quando garantem um circo no qual multidões se juntam para verem a bela chama de prédios incendiados, mas, na verdade, é um espetáculo secundário, e dificilmente necessário para manter a ordem. São muito poucos os que ainda querem ser rebeldes”.

Segundo o mesmo chefe, a leitura imprimia sentimentos tristes às pessoas. Por que eles iriam querer aquilo? Fiquei pensando a respeito e faz todo o sentido que ler nos faça menos felizes, pois somos libertos de ilusões bobas.

Beatty deixa isso claro no trecho abaixo.

“Todo homem capaz de desmontar um telão de tevê e montá-lo novamente, e a maioria consegue, hoje em dia está mais feliz do que qualquer homem que tenha usado a régua de cálculo, medir e comparar o universo, que simplesmente não será medido e comparado sem que o homem se sinta bestial e solitário. Eu sei porque já tentei”.

O sentimento de insatisfação que vai crescendo em Montag conduz a trama daí para frente, levando a um final esperançoso; e, bom, pelo menos na ficção temos este consolo.

Como meu objetivo é somente jogar a isca para que você venha a ler o livro, digo que é uma leitura passível de várias interpretações e digna da visita de quem é amante da literatura.

Para encerrar, fica o trecho abaixo:

“Os bons escritores quase sempre tocam a vida. Os medíocres apenas passam a mão rapidamente sobre ela. Os ruins a estupram e a deixam para as moscas. Entende agora por que os livros ao odiados e temidos? Eles mostram os poros no rosto da vida”.