Resenha: Geração Subzero – Felipe Pena (org.)

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20 autores congelados pela crítica, mas adorados pelos leitores”, é o que está estampado na capa.
Confesso que o livro organizado por Felipe Pena me surpreendeu. A proposta do livro consiste em reunir, em uma coletânea, textos de vinte autores que estão se destacando pela aprovação do público. Considerei uma proposta interessante, afinal os escritores preferidos da “crítica especializada” raramente estão na lista dos mais vendidos, enquanto aqueles que os leitores amam, são marginalizados pela mesma crítica.  Os vinte selecionados são autores que buscam entreter o público com suas histórias na linguagem que o povo consegue entender. Pena faz questão de destacar no prefácio do livro “Escrever fácil é muito difícil”.

Um fato a se destacar é que os direitos autorais do livro serão doados para a ONG “Ler é dez, Leia favela”.

Agora vamos ao resultado do livro. São vinte contos e eu não vou falar de todos, mas em ordem de publicação, somente aqueles que mais chamaram a minha atenção, evitando spoilers.

André Vianco: A canção de Maria
Nunca havia lido nada do Vianco até esta história, embora já tivesse lido bastante sobre o autor e sua ousada história como escritor. Posso afirmar que A canção de Maria é uma história deliciosamente assustadora, daquelas que fazem bem de se ler quando se está sem motivo para se meter embaixo da coberta e pregar os olhos.
No texto, André Vianco conta a história de Ezra, um lenhador que numa noite incauta vê bater em sua porta, pedindo abrigo, uma jovem grávida. Ele realmente não poderia esperar o que estava para acontecer, e quem lê também não.

Thalita Rebouças: Na Maternidade
Para aliviar a tensão do conto do Vianco, logo em seguida vem o da simpática Thalita Rebouças, a qual também não havia lido ainda. Através de um texto gostoso de se ler, a escritora nos conta a história de Armando, casado com Angela Cristina. A comicidade do caso fica por conta do fato de o personagem principal jamais abrir mão da pelada nas segundas a noite, mesmo na data do casamento ou no principal acontecimento do livro, que por questões óbvias não vou contar qual é.

Carolina Munhóz: Outra vez na escuridão
Outra autora que não havia lido, embora já tinha ouvido falar (no Nerdacast com o Paulo Coelho). A história da escritora dá um novo aspecto às fadas. É umas espécie de conto de fadas gótico, ou algo assim. Fiquei encantado com o ambiente depressivo e cinzento que a protagonista, Jade , me foi apresentada. O contraponto do conto é a Leanan Sidhe (fada) Sophia, a musa da artista que Jade vai se tornando ao longo da história. Carolina Munhóz trata através da fantasia de um tem extremamente atual, a vida de orgias que se entregam as celebridades no auge da fama.

Martha Argel: Entrevista com o Saci
Ok, mais uma que eu não conhecia; até o fim da resenha não saberei onde enfiar a cara.
Entrevista com o Saci é uma história simples, mas que prende o leitor. É sempre incrível ver quando um escritor se compromete com o resgate da mitologia nacional, e este foi o caso de Martha Argel neste conto. A história diz respeito à Maria de Lurdes, que trabalha num asilo e passa a conhecer um velhinho, digamos, um tanto diferente.

Delfin: O escritório de design probabilístico
Frase recorrente: não conhecia este escritor (risos).
O conto de Delfin nos mostra uma situação inusitada, a história de Othon e seu estranho emprego, onde ele trabalha com mais cinco pessoas e a única tarefa é responder a uma pergunta diária. Parece uma história simples, mas a trama ganha contornos que prendem a atenção de forma inesperada e depois deixam aquela lacuna para a imaginação.

Eric Novello: Um chá com Alice
Finalmente, este já tinha lido, e na verdade está ficando meio costumeiro falar dele aqui no blog.
Quando li o título Um chá com Alice, logo liguei a clássica personagem de Lewis Caroll, mas não, necessariamente, é ela. Para que você entenda, existem várias referências àquela Alice, mas o autor em momento algum afirma ser ela. Esta Alice é uma adolescente que frequenta o consultório do psicanalista Dr. Cappellaio. O delicioso do conto é que esta personagem,assim como a do Caroll, também tem aqueles trejeitos estranhos e engraçados.
E acreditem, existem algumas ideias que facilmente poderiam ser usados numa aula de semiótica, mas com uma dose de humor desta incrível personagem.

Outros escritores do livro:
Eduardo Spohr, Raphael Draccon, Ana Cristina Rodrigues, Juva Batella, Estevão Ribeiro, Pedro Drummond, Luiz Bras, Luis Eduardo Matta, Sérgio Pereira Couto, Julio Rocha, Helena Gomes, Vera Carvalho Assumpção, Janda Montenegro e Cirilo S. Lemos.

3 coisas que aprendi lendo este livro

  1. Preciso criar vergonha na cara e ler mais os novos autores brasileiros que estão publicando.
  2. Mesmo quando você lê um gênero que não é o seu preferido, você pode gostar da história, se ela for bem escrita.
  3. Quando alguém me pedir a indicação de algum livro para ler, pois quer conhecer um autor novo, indicarei Geração Subzero; funciona como uma catálogo para quem quer conhecer bons escritores.

Enfim, vale a leitura! Conte-me o que você achou nos comentários!

Para quem é do Rio:

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