Resenha: Quatro Estações – Stephen King

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Stephen King é conhecido mundialmente como um mestre do horror na literatura, mas não só de criaturas assustadoras ou situações macabras vive o autor. Embora, em sua maioria, as obras de King sejam de horror – ou terror, conforme a interpretação -, ele não deixa a desejar quando escreve fora do gênero.

Quatro Estações contem quatro contos longos, ou romances curtos, que não seriam publicados se não fossem reunidos num só volume. Então vamos aos contos:

A primavera eterna – é narrado por um presidiário relata a vivência com um homem preso injustamente, mas que se adapta a situação, como se não pertencesse àquele mundo. A forma como o autor constrói a narrativa faz com que o leitor simplesmente fique extasiado com as atitudes do tal preso. A história também foi adaptada para o cinema sob o título “Um sonho de liberdade”.

Verão da corrupção – é mais uma história de suspense de King, mas de alguma forma você vê um horror implícito. Não, não estou me contradizendo a respeito do que havia afirmado no começo. O enredo traz um garoto que suspeita que um determinado senhor tenha sido um dos principais comandantes nazistas, durante a segunda guerra mundial. O envolvimento entre os dois acaba sendo incrivelmente surpreendente e com várias reviravoltas. Este conto também foi às telas grandes, com o título em português de “O aprendiz”.

Outono da inocência – é um conto tocante sobre amizade e lembranças da infância. Quatro garotos descobrem que há um corpo de um menino em determinado lugar; então resolvem empreender uma jornada até lá; o que acaba por marcar a passagem deles para o mundo adulto. Nos cinemas, foi chamado de “Conta comigo”.

Inverno no clube – fala de um homem que é convidado por um dos chefes de seu escritório a conhecer um misterioso clube. Lá, todas as quintas, histórias são contadas; sendo a quinta-feira que antecede o Natal, a mais esperada do ano. Num Natal específico, é contada uma perturbadora história sobre uma mãe que luta para conceber seu filho.

Difícil dizer de qual conto gostei mais; contudo, fico entre o Primavera eterna e o Outono da inocência. Todos eles carregam o leitor por uma experiência de envolvimento emocional incrível, mas os dois que citei acima são ainda mais intensos.

Para encerrar, digo que é uma leitura gratificante, do tipo que faz você sentir aquele aperto no coração quando acaba; deixando um gostinho de “quero mais”. Uma aula narrativa. Um envolvimento único. Acima de tudo, um livro de personagens extremamente humanos.

Que tal uma amostra?

“As coisas mais importantes são as mais difíceis de expressar. São coisas das quais você se envergonha, pois as palavras as diminuem, as palavras reduzem as coisas que pareciam ilimitáveis quando estavam dentro de você à mera dimensão normal quando são reveladas. Mas é mais que isso, não? As coisas mais importantes estão muito perto de onde seu segredo está enterrado, como pontos de referência para um tesouro que seus inimigos adorariam roubar. E você pode fazer revelações que lhe são muito difíceis e as pessoas o olharem de maneira esquisita, sem entender nada do que você disse nem por que eram tão importantes que você quase chorou quando estava falando. Isso é pior, eu acho. Quando o segredo fica trancado lá dentro não por falta de um narrador, mas de alguém que compreenda.”