Signos dos escritores podem influenciar em suas obras?

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Evento no Rio une literatura e astrologia para discutir a influência dos signos nas obras de autores

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Você acredita em astrologia ou é daqueles que leem o horóscopo apenas por curiosidade, sem colocar muita fé nas previsões dos astros? Bem, de qualquer forma, você deve ser amante da literatura e, como tal, se interessar pelos estudos sobre os autores e suas obras. Em setembro de 2015, 30 especialistas nos signos celestiais e linguísticos se reuniram no Rio de Janeiro para debater a influência do zodíaco nas obras de certos escritores. Vale a pena conferir algumas conclusões, baseadas em fatos biográficos.

No grupo dos escorpianos, temos o poeta Carlos Drummond de Andrade, que não acreditava muito nas explicações sobre o cosmos, mas declarou em entrevista que o escorpião atormentava sua vida, aparecendo inclusive no poema Confissão. Além dele, Sylvia Plath, intensa a ponto de cometer o suicídio após o fim de um casamento explosivo com um leonino.

Fernando Pessoa e Ana Cristina César eram de Gêmeos, signo multifacetado. J.D. Salinger, de Capricórnio, o que se reflete em seu personagem ultrapessimista Holden Caufield, de O Apanhador no Campo de Centeio. Gabriel García Marquez, mestre do realismo fantástico, um divertido pisciano. J. K. Rowling, criadora de Harry Potter, uma leonina forte e imaginativa. Júlio Verne, de A Volta ao Mundo em 80 Dias, e Lewis Carroll, de Alice no País das Maravilhas, representantes da criatividade dos aquarianos.

A taurina Hilda Hilst fere com uma fúria sensual. Paulo Leminski é preciso como um virginiano. Guimarães Rosa, Marcel Proust e Franz Kafka estão na turma de Câncer, o que rendeu uma brincadeira polêmica da astróloga Maína Mello: “Você reconhece Câncer por aquelas obras chatíssimas”. Será? A sagitariana Clarice Lispector é difícil de ser definida; possui Mercúrio em Escorpião, o mais artístico dos signos.

O artigo rendeu comentários revoltados de alguns leitores, que julgaram as análises como grandes bobagens. Talvez tenham levado a sério demais o que se propunha a ser inicialmente uma brincadeira ou mesmo compartilhem uma visão preconceituosa sobre os estudos de astrologia. Julgar a literatura pela vida (e, neste caso, pelo signo) dos escritores é um assunto controverso, que divide opiniões. Há quem acredite que a obra deve ser analisada de maneira independente, outros que consideram uma boa ideia situá-la em seu contexto de produção, mas é difícil que se atenham exclusivamente ao método biografista, prática comum no século XIX. Por fim, é possível concluir que eventos desse tipo, se não contribuem de forma mais relevante aos estudos literários, pelo menos também não os prejudicam e, além do mais, apresentam curiosidades interessantes.