Todo mundo sabe tudo – Giseli Corrêa

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Não, não adianta reclamar, espernear e culpar os outros. Olhar ao lado e dizer que deu errado? Bem acontece, mas o que você vi fazer com isso? Eu sei, pode soar um pouco “autoajuda”, mas acredite não é o propósito e eu não estou tentando ajudar. Na verdade é uma inspiração gerada por algum tipo de ira, e bem, vocês sabem que eu tenho uma tendência a ser um pouco ácida, porque ser base é muito fácil e fingir que não vê as coisas erradas não é bem a minha praia.

Então eu mudei. E não digo como mudei interiormente, é mais como mudei para o interior e estou de volta a casa que deixei há anos atrás. Escolha minha, minha escolha também ignorar aquela coisinha de cidade pequena em que todos sabem de todos… Bem, eu acabei de chegar e não sei de ninguém. E se você quer saber cinco anos é bastante tempo, ou um piscar de olhos e eu mudei também.

O que me irrita em pequenos lugares é que todos sabem tudo e ninguém sabe Po#$*… nenhuma… Todo mundo sabe que você voltou e o que você fez, mas ninguém pergunta, é mais um burburinho abafado… E bem, eu finjo que não escuto, me tranco em meu espaço abafado e escrevo, porque ou faço algo, ou deixo o veneno corromper todos os meus vasos, que admito, não são tão limpos, eu nunca fingi que são.

A cidade pequena, onde tudo parece realmente pequeno, grandes são as distâncias. É engraçado como nos escondemos sobre a “segurança de conhecer todo mundo”, quando, na minha visão, o que faltam são jornais para relatar os crimes. Alguém que roubou uma lanchonete às 6h ou 18h (eu realmente não sei, mas aconteceu na minha rua), e bateu na mulher que gritava por socorro, um cara que dormiu com a amiga da esposa e foi pego com ela em um cemitério (sério? Bizarro), roubo no colégio em frente a minha casa, roubo dentro do terreno de casa e lá se foi o aparelho de som do meu fusquinha…

É engraçado, meu pai ache que sabe quem foi e aparentemente o aparelho foi vendido por trinta reais… É isso, ninguém faz coisa alguma (meu pai foi roubado pela segunda vez, na primeira foi o tacógrafo do caminhão), ninguém da a mínima! Porque supostamente estamos em uma cidade pacata e por aqui não ocorrem crimes… Estou morando aqui há um mês e ouvi histórias que nem sei se acredito…

Então eu mudei e minha vida veio comigo para a cidade pequena onde todos pensam saber dela mais do que eu… Todo mundo sabe tudo e eu continuo sem entender coisa alguma.