TV x Livro: o eterno embate

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Será a TV a grande inimiga da leitura? Essa é uma questão recorrente há algum tempo, tanto que já está ficando até meio clichê. A Revista Bula publicou recentemente uma matéria sobre o assunto, defendendo que a grande mídia televisiva gera indivíduos VBDs (vítimas da burrice disseminada), condicionados pelas informações prontas do audiovisual e pouco estimulados ao exercício da imaginação e da consciência crítica obtidos com a literatura. Em certo ponto, é verdade. Mas todo mundo que vê TV é um VBD? Então ok. Vou pegar meus livros e me mudar para uma ilha deserta, isolada da alienação do mundo. Precisamos ser tão radicais assim?

Hoje em dia, de acordo com a matéria, praticamente todas as residências, mesmo as mais humildes, possuem pelo menos um aparelho de TV, mas poucos livros, e a maioria de enfeite. Aquela velha história: as pessoas, no geral, preferem ver TV a ler. Por quê? Por uma razão cultural. Infelizmente, no nosso país, pouco se valoriza a arte, a cultura, a educação. Numa sociedade materialista e fútil como a nossa se tornou, o importante é se dar bem, se virar com o “jeitinho brasileiro”, possuir coisas, se divertir… Livro para quê? Como se não bastasse, na escola, as obras clássicas são mal trabalhadas, de maneira distanciada da realidade do aluno. Então ler é chato, perda de tempo, coisa de nerd e intelectual. A TV é muito mais democrática, por isso atrai mais o público. Ninguém precisa aprender a ver TV. Mas talvez os livros nos ensinassem a como ver TV. Ou seja, desenvolvendo o nosso raciocínio crítico, estaríamos menos influenciáveis a manipulações midiáticas. E as manipulações existem, nós sabemos. Porém, é uma questão de escolha. Temos que filtrar o que vemos. Mais do que isso, decidir a nossa programação. Porque, se existe muita porcaria na TV aberta, sempre há alternativas, bons programas e séries disponíveis; é só procurar.

Um dos argumentos falaciosos da matéria da Bula é afirmar que há mais incentivo e facilidade a um jovem em ir tomar uma cerveja em um bar, por exemplo, do que pegar um livro numa biblioteca. Não é bem assim. Hoje já existem diversos programas de incentivo à leitura. É possível encontrar livros baratos e acessíveis, só que a maioria das pessoas não busca esse tipo de coisa. Triste realidade…

Demonizar a TV, demonizar a Rede Globo particularmente, como é muito comum, não nos leva a lugar algum. E vamos lembrar que a própria Globo já adaptou belamente clássicos da literatura, num exemplo interessante de como pode haver mesmo uma parceria entre TV e literatura. Também devemos lembrar que a TV aberta vive de audiência. Basicamente, eles exibem o que o povo quer ver. Quem sabe se demandarmos por qualidade não sejamos atendidos? Como eu já disse, é uma questão de escolha.