Doctor Who, Um Senhor do Tempo na literatura

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Doctor Who, famosa série de ficção para a TV, inspirou diversos livros – muitos deles já traduzidos para o português

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Fãs de séries televisivas já estão acostumados com tramas baseadas em livros – os mistérios de Sherlock Holmes, as batalhas épicas de Game of Thrones e até os caçadores de demônios dos Instrumentos Mortais ganharam versões para a telinha. A transição da TV para a literatura, no entanto, é mais incomum. E, nessa arena, nenhuma série foi tão bem-sucedida quanto Doctor Who.

Criado em 1963 pelo canal britânico BBC, o programa conta a história de um viajante do tempo, o Doutor. Ele é um extraterrestre do planeta Gallifrey, que foi destruído em uma terrível guerra. Só e sem um lar, tudo que resta a este Senhor do Tempo (nome dado à sua espécie) é uma máquina que o leva a diferentes eras e lugares. Isso, e sua capacidade de regeneração: quando o Doutor está para morrer, ele passa por uma transformação, e torna-se uma pessoa com aparência e modos diferentes. Em comum, todos os Doutores têm o amor pela raça humana (expresso na amizade com companheiros de viagem), a curiosidade quase infantil e diversos truques na manga, que o ajudam a manter o curso da história, apesar dos monstros à espreita.

Autores famosos, como Douglas Adams e Neil Gaiman, já escreveram episódios para a série, mas muitos outros criaram histórias exclusivas para lançamento impresso. A coletânea Doctor Who – 12 doutores, 12 histórias é um bom exemplo: a obra reúne aventuras inéditas, uma para cada encarnação do protagonista. Com um time de autores que conta com Eoin Colfer, Holly Black e Richelle Mead (além, claro, de Adams e Gaiman), o volume traz suspense e comédia, e é uma chance para a geração mais nova conhecer um pouco sobre os personagens das décadas anteriores.

Outra boa coleção de contos é Quando cair o verão e outras histórias. Aqui, o autor James Goss escreve como Amelia Williams – a Amy Pond, famosa companheira do décimo primeiro Doutor. As três narrativas do livro são inspiradas em episódios de sucesso, e o fã do seriado reencontrará a detetive Melody Malone, os bonecos de neve que sangram e os terríveis anjos lamentadores.

Há, também, romances mais extensos inspirados pelo Senhor do Tempo. Em O Prisioneiro dos Daleks (de Trevor Baxendale), o décimo Doutor sê vê em meio a uma batalha contra os seres mais temidos do universo: os Daleks, uma raça que vive apenas para exterminar outras formas de vida. Na trama, o Doutor consegue desarmar e aprisionar um Dalek vivo, e alegra-se com a ideia de um interrogatório. A narrativa, no entanto, é cheia de reviravoltas, e logo o leitor percebe que a vantagem não está com o herói.

Quem prefere os episódios mais carregados de horror vai gostar de Mortalha drwhoda Lamentação, de Tommy Donbavand. Na obra, o décimo primeiro Doutor presencia um estranho fenômeno: rostos de pessoas mortas começam a aparecer em todo lugar. A princípio, as imagens parecem inofensivas, mas elas não são o que parecem. Essas criaturas são, na verdade, monstros que se alimentam da tristeza humana, e que chegaram à Terra quando milhões de pessoas lamentavam a morte de John F. Kennedy.

Outra sugestão é Shada, uma aventura escrita por Douglas Adams para a TV, a qual nunca foi filmada. Agora, desenvolvida por Gareth Roberts, a história chega ao público na forma de romance. Shada conta como o quarto Doutor vê um dos artefatos mais perigosos de Gallifrey cair em nas mãos de Skagra, um poderoso rival, que almeja o domínio do universo. Douglas Adams é também o criador de Cidade da Morte – mas essa trama foi ao ar. Aliás, é o episódio mais visto de toda a série. Nas mãos de James Goss, a narrativa ganhou diversos detalhes novos, mas o contexto principal permanece: um conde está patrocinando experiências temporais, com o objetivo de roubar a Mona Lisa. Através de uma rachadura no espaço-tempo, ele consegue o quadro – diversas vezes. O Doutor precisa, então, recolher todas as versões da pintura. E vencer todas as versões do conde.

Há várias outras obras literárias referentes ao mundo de Doctor Who, mas estas ainda não foram traduzidas para o português. Quem optar pelos originais em língua inglesa poderá se divertir com coletâneas de contos, guias sobre a série, retratos dos bastidores e até quadrinhos inspirados no programa. E, dentre toda essa gama, o destaque certamente vai para Doctor Who: Time Lord Fairy Tales. Na coletânea, diversos autores criam os contos de fadas de Gallifrey. Poético e sinistro em igual medida, o livro vai agradar até quem não é assim tão fã do seriado – possivelmente, a ponto de angariar mais um espectador.