Uma nova sugestão de leitura: Amanhã não tem ninguém, de Flávio Izhaki

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Flávio Izhaki (imagem: Estadão)

Na minha última coluna, fiz uma sugestão de leitura, Aos 7 e aos 40, do João Anzanello Carrascoza. Para minha alegria, pareceu surtir resultado: algumas pessoas me deram retorno de que buscaram o livro, estavam lendo-o e gostando.

Não pretendo transformar minha coluna em uma série de resenhas literárias (o próprio texto sobre o trabalho de Carrascoza não era exatamente uma resenha, mas sim uma proposta de encontro com o livro), mas também não posso deixar de aproveitar uma oportunidade de fazer com que mais pessoas conheçam um pouco da literatura brasileira contemporânea.

amanha-nao-tem-ninguem-flavio-izhakiEntão, aqui vai mais uma sugestão: Amanhã não tem ninguém, de Flávio Izhaki. Embarquei nessa leitura logo após terminar o do Carrascoza, e vou dizer: os dois estão entre as melhores coisas que li em 2013. Então, lá vai: mais uma “não-resenha”, que espero servir de incentivo ao pessoal que curte uma boa literatura.

O livro do Flávio perpassa quatro gerações de uma família de ascendência judaica, e é narrado em primeira pessoa por diferentes personagens em uma polifonia muito bem trabalhada. Antes que alguém pense se tratar de um daqueles livros enormes, cheios de descrições e referências do passado citadas só para mostrar que o autor fez suas pesquisas, já quero deixar claro:  não é nada disso. A leitura é muito, mas muito fluída mesmo, resultado do que imagino ter sido um bom cumprimento daquela “missão” que um escritor tem muitas vezes: esforçar-se muito para colocar sua construção em pé sem parecer que foi preciso um grande esforço para isso.

O foco do livro é muito fechado nos dramas pessoais e nas relações entre os membros da família, aspecto com o qual me identifiquei muito. Não há virtuosismos gratuitos, não há relatos históricos desnecessários e tampouco os diferentes personagens/narradores são estereotipados só para terem sua “personalidade”. Enfim, não há forçação de barra: é uma história muito bem contada, prazerosa de se ler. Amanhã não tem ninguém é uma trama sobre laços familiares, amor, perdas, passagem do tempo, morte e renovação. Só é preciso ser humano e alfabetizado para poder ser tocado pela sua leitura.

Pode comprar e ler sem medo. Você provavelmente vai ficar naquela de “não vejo a hora de poder voltar ao livro, continuar a leitura”. Aconteceu comigo.