O Pequeno Príncipe e a responsabilidade afetiva

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, a frase clássica da obra O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, pode soar um tanto clichê, mas tem seu fundo de verdade Existe um termo chamado “responsabilidade afetiva”. Basicamente, significa ser empático, levar em consideração os sentimentos do outro dentro de uma relação. Se nos envolvemos com aquela pessoa, […]

Descoberta

A Descoberta do Mundo e a densidade existencial das crônicas de Clarice

A Descoberta do Mundo, coletânea de crônicas de Clarice Lispector, é mais do que um apanhado dessa face tão pouco falada da obra Clariceana. Parte disso se vê nesse texto, que faz uma ponte entre as incursões da autora nesse gênero e a angústia existencialista presente na obra de Jean Paul Sartre A Descoberta do […]

Como funcionava a dramaturgia no rádio

Num agosto, houve minha estreia no rádio.  Deixara o magistério e, orientado por Ghiaroni, um dos maiores novelistas do país, consegui emprego de roteirista na rádio Bandeirantes. Na época, a função era chamada de “redator”.   A primeira dificuldade foi encontrar roteiros de dramaturgia no rádio para me orientar.  Minha base foram scripts antigos e alguns […]

a literatura e as redes sociais

Notas sobre literatura e performance nas redes sociais

Como é possível que, com personagens tão antipáticos, a narrativa de nossa geração (a geração das redes sociais) não pareça tão profundamente odiosa para o leitor do futuro? 1 Em O Ano em que Vivi de Literatura (Foz, 2015), Paulo Scott nos apresenta Graciliano, um escritor corroído pela fama precoce, que não consegue entregar um […]

Jamais

Jamais saberemos o que guia uma narrativa – pode ser um filme ou uma lavanderia

Jamais saberemos o que realmente origina e guia uma narrativa – pode ser um filme ou uma ida à lavanderia Jamais saberemos o que guia uma narrativa. Luiz Ruffato, em texto publicado na Folha de S. Paulo, escreve que o filme Amarcord, de Frederico Fellini, norteou sua carreira. Além da composição de personagens calcada na […]

Inspiração para escrever: A musa inspiradora objetificada

Na história em quadrinhos Sandman, um escritor em crise criativa “compra” Calíope. Mantendo-a como refém em sua casa, ele consegue inspiração para escrever um romance de sucesso atrás do outro. O problema é que a musa inspiradora criada por Homero desperta os mais abomináveis instintos do romancista. Além de mantê-la enclausurada, estupra-a assiduamente. Ao final […]

Captadores de silêncios – De Sergio Leone a Marçal Aquino

    Fotografia é algo muito subjetivo, que capta silêncios. Basta ler A câmara clara, de Roland Barthes, para se dar conta disso. Essa subjetividade está tanto no olhar do fotógrafo, que faz um recorte da realidade pelo visor da câmera, quanto no do espectador, que analisa o produto final e pode ou não se […]

Jorge de Lima, fotógrafo ou poeta? – O que você acha?

No conto As babas do Diabo, de Julio Cortázar, o narrador diz que as pessoas deveriam, ainda crianças, aprender a fotografar. Assim, elas desenvolveriam um tipo de senso crítico acompanhado da capacidade de fazer recortes de uma realidade, adotando diversos ângulos de visão. O que isso tem a ver com Jorge de Lima? Numa época […]

Em defesa dos chatos!

  Há uma figura que, independentemente da época, é sempre rechaçada: o chato. Não sei bem o porquê, mas nutro uma simpatia pelos chatos e, mais do que isso, para mim, eles são fundamentais para que o mundo caminhe em frente. Na literatura, então, eles ainda são poucos, bem mais numerosos do que em outras […]

É preciso ler o livro para falar dele?

Um breve comentário sobre a exigência de burocratizar a leitura para vencer disputas literárias. É comum leitores de obras atreladas ao que se chama Literatura Comercial reclamarem do preconceito literário que os leitores das chamadas Literatura de Nicho ou Literatura Clássica demonstram com suas preferências. O que acho curioso, pois até hoje não vi nenhum […]