10 escritores negros para ler ao menos uma vez na vida

Dez escritores negros de diversos gêneros e de vários países ao redor do mundo que todos deveríamos ler ao menos uma vez na vida

Embora hoje haja mais espaço para autores negros negros, o fato é que a sua visibilidade ainda é pequena perto da quantidade e da qualidade desses autores. Assim, separamos dez escritores negros do mundo inteiro que todos deveriam ler ao menos uma vez na vida.

Antes, algumas ressalvas.

A lista não contém nenhum nome brasileiro, pois já temos uma lista de escritores brasileiros negros que você pode conferir clicando aqui.

Também tentamos separar autores dos mais variados gêneros. Logo, se você acha que faltou algum ou tem uma contribuição legal, indique nos comentários.

 

Ngugi wa Thiong’o

O escritor nasceu em 1938, em uma região rural do Quênia, durante a ocupação britânica. Um das principais vozes da literatura africana contemporânea e frequentemente cotado para receber o Prêmio Nobel de Literatura, Ngũgĩ wa Thiong’o revisita sua infância em Sonhos em tempo de guerra, primeiro volume de suas memórias. Já Um grão de trigo trata do difícil processo de independência do Quênia. Além de romances, publicou peças de teatro, ensaios e livros infantis. Infelizmente, boa parte da sua obra ainda não se encontra traduzida em português.

 

Toni Morrison

Nasceu em 1931, em Ohio, nos Estados Unidos. Formada em letras pela Howard University, estreou como romancista em 1970, com O olho mais azul. Em 1975, foi indicada para o National Book Award com Sula, e dois anos depois venceu o National Book Critics Circle com Canção de Solomon. Amada lhe valeu o prêmio Pulitzer. Foi a primeira escritora negra a receber o prêmio Nobel de literatura, em 1993.

 

James Baldwin

Um dos nomes mais destacados da literatura americana do século XX, James Baldwin nasceu em Nova York em 1924. É autor de várias obras de ficção, entre elas O quarto de Giovanni e Terra estranha. Entre seus principais temas, sobressaem a luta racial e as questões de sexualidade e identidade.

 

Alice Walker

Alice Walker é internacionalmente conhecida por sua participação em movimentos pelos direitos civis, principalmente das causas negra e feminina. Além de romancista premiada, é também autora de contos, ensaios, poemas e vários livros infantis. Sua obra está traduzida para mais de vinte línguas. Publicou as obras A cor púrpura (adaptado para o cinema por Steven Spielberg), O templo dos meus familiares, Vivendo pela palavra e Rompendo o silêncio.

 

Chinua Achebe

Achebe nasceu na Nigéria em 1930. É um dos mais respeitados autores africanos do século XX. Atuou na diplomacia durante os conflitos entre o governo nigeriano e o povo ibo, no final da década de 1960. Recebeu o Man Booker International, um dos mais importantes prêmios das literaturas de língua inglesa. Publicou os romances A flecha de deus, O mundo se despedaça, entre outros.

 

Maya Angelou

A autora nasceu em 1928 em St. Louis, nos Estados Unidos. Reconhecida como grande poetisa norte-americana e figura influente da cultura afroamericana, Angelou lutou pelos direitos civis e pela igualdade por toda a sua vida. Publicou livros desde literatura infanto-juvenil à poesia. Seu livro Eu sei por que o pássaro canta na gaiola, retratando sua infância sofrida enquanto mulher negra no sul americano, é um marco sobre a beleza e a crueldade do século XX.

 

Wole Soyinka

Wole Soyinka nasceu na Nigéria, em 1934. Fez faculdade na Universidade de Leeds, Inglaterra, onde se formou com menção honrosa em literatura inglesa. Em 1967, durante a Guerra civil em seu país, ele foi preso pelo Governo Federal. Na prisão, escreveu poemas que mais tarde viriam a ser publicados em uma coleção, sob o título Poems from Prison. Soyinka tem criticado abertamente as administrações da Nigéria e de tiranias políticas mundo afora. Foi o primeiro autor negro africano a vencer o Nobel de Literatura em 1986.

 

Octavia E. Butler
Octavia Butler at home. A lifelong bibliophile, she considered libraries sacred spaces.

Filha de um engraxate e uma empregada doméstica, a Grande Dama da Ficção Científica nasceu na Califórnia, em 1947. Ao longo de sua carreira, foi laureada com o MacArthur Fellowship, Hugo, Nebula e Locus Awards, além de ser indicada mais de 20 vezes à prêmios. Representava em seus livros heroínas negras e explorava temas como raça, empoderamento feminino, divisão de classe, sexualidade e escravidão. Entre suas obras, se destacam A parábola do semeador e Kindred.

 

Chimamanda Ngozi Adichie

Nasceu na Nigéria, em 1977. Sua obra foi traduzida para mais de trinta língua e apareceu em inúmeras publicações, entre elas a New Yorker e a Granta. Recebeu diversos prêmios, entre eles o Orange Prize e o National Book Critics Award. Publicou Meio Sol Amarelo, No seu pescoço, Hibisco Roxo e Americanah.

 

Scholastique Mukasonga

Scholastique Mukasonga é uma escritora ruandesa de expressão francesa nascida em 1956. Ela emigrou de Ruanda em 1992, dois anos depois do genocídio dos Tutsis, para se estabelecer na França, onde vive e trabalha atualmente na região da Basse-Normandie. Seus livros, a maioria deles premiados, foram publicados pela prestigiosa editora Gallimard, dentre eles Baratas, As mulheres de pés descalços e Nossa senhora do Nilo.

José Figueiredo Autor

editor-chefe do homoliteratus, podcaster (30:MIN), mestrando em teoria da literatura (UFRGS), autor de "Há um tubarão na piscina" (2018)