A fotografia analógica na era dos celulares inteligentes

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A popularidade do filme fotográfico representa um retorno ao básico da fotografia, reafirmando o papel do fotógrafo como artista. 

Câmera Analógica: Conheça o Charme Vintage da Fotografia com Filme

Posicionando o analógico no digital

Mesmo em meio a tanta facilidade de tirar fotos, agora com celulares inteligentes e câmeras digitais, ainda há uma grande procura pelos meios analógicos de fotografar.
Por exemplo, a hashtag no Instagram que faz referência ao filme fotográfico, #filmisnotdead (em português #filmenãoestámorto), possui mais de 19 milhões de menções. Já a hashtag #35mm contém mais de 31 milhões. Ambas são marcadas em fotos atuais tiradas do jeito antigo. 
 
A FujiFilm e Kodak retomaram a produção de filmes fotográficos de 35 e 120mm devido à demanda nos últimos 5 anos. As últimas produções de larga escala datam do começo dos anos 2000.
Os aspectos estéticos da fotografia analógica sempre estiveram presentes em diversos aplicativos de redes sociais com filtros de aspecto vintage, recriando granulado e rasuras característicos de filmes fotográficos.
Atualmente, muitos portam um celular com câmera e podem fotografar com extrema qualidade a qualquer momento.
A popularidade do filme fotográfico representa um retorno ao básico da fotografia, reafirmando o papel do fotógrafo como artista. 

Analógico vs digital

A volta da fotografia analógica é causada pelo mesmo fator que o retorno dos discos de vinil: a necessidade de desacelerar o processo.
A câmera analógica é uma experiência tátil. Por exemplo, com a troca do rolo de filme ou o ajuste do obturador. Ela exige o ritmo de fotografia mais lenta, assim como o disco exige o mesmo do ouvinte. No meio de tantas telas e toques no dia a dia, há a necessidade manuseio em instrumentos mais palpáveis. 
 
A fotografia analógica é uma atividade intimista, semelhante ao artesanato.
O resultado revela o artista que há por trás, sua sensibilidade e conhecimento técnico. Isso difere do  fotógrafo de câmeras digitais, em que há o intermédio de um software manipulado pelo artista. Ser fotógrafo é sobre as decisões que você toma.

 Qualidade vs quantidade

Checar cada imagem após o clique, corrigindo o que deu errado até conseguir a foto perfeita, é um ato inconsciente ao se fotografar digitalmente. Isso pode desconectar o fotógrafo do ambiente a ser fotografado.
As fotografias da câmera analógica possuem uma imperfeição singela, tornando-as uma arte de resistência. A imprevisibilidade do filme fotográfico com as exposições duplas, o foco parcial, as manchas e a granulação podiam ser considerados erros enquanto a fotografia analógica era a principal forma de registro, mas agora são trunfos para compor os cenários do(a) artista.
 
O filme fotográfico impõe limites. É preciso analisar composição, iluminação e exposição, o que força a análise atenta de sua produção.
Sem possibilidades infinitas, a fotografia analógica é crua e exige o olhar intencional para o recorte certo. Nas câmeras digitais, os mesmos fatores são facilmente solucionados por recursos e ferramentas digitais que não exigem bem um conhecimento prévio, o que pode tornar o processo fotográfico menos sensível.

Autenticidade em meio a saturação de imagens

A internet está saturada de imagens.

Quem busca a fotografia analógica também procura autenticidade. Cada câmera desse tipo registra a mesma imagem de um jeito particular, assim como diferentes ISO em rolos de filmes.
Diferentes métodos de revelação têm suas características distintas e essas combinações resultam em imagens únicas, por exemplo: o fotógrafo brasileiro Guilherme Maranhão utilizou filmes vencidos para as imagens de sua exposição Travessia’, em 2015.
A fotografia digital não perde seu mérito, pois traz facilidade ao fotógrafo. É importante, pois, que a sua prática analógica não seja esquecida e sirva como uma desintoxicação da prática de fotografar já viciada pela alta tecnologia.