5 adaptações cinematográficas mais improváveis de Shakespeare

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Shakespeare é o melhor, ou um dos melhores. Quase ninguém, tirando o Bukowski, nega o talento e a grandeza das obras do bardo inglês. Macbeth, Rei Lear e Hamlet estão em nosso imaginário popular em vários momentos, e, às vezes, nem mesmo sabemos que àquilo que lemos ou vemos é obra, de fato, de um dos mais importantes dramaturgos da língua inglesa. Muitas culturas já assimilaram suas estórias e as adaptaram conforme queriam. O caso é que nem sempre notamos esse fato, passando por estórias tão antigas, das quais não nos damos conta que originalmente são de Shakespeare. Para tanto, fizemos uma lista com as cinco adaptações mais improváveis de Shakespeare para o cinema.

The_Lion_KingO Rei Leão (Direção: Roger Allers e Rob Minkoff, 1994)

Todos já vimos, em algum momento de nossas vidas, a triste história de Simba. Ele era filho do rei, que acaba morrendo. Quem assume ao trono é Scar, irmão do rei, e o jovem Simba fica legado ao segundo plano até descobrir que foi Scar o responsável pela morte de seu pai. Simba então empreende sua vingança contra o falso monarca. Eis Hamlet ressurgindo mais uma vez numa história da Disney. Talvez não tenha a força do original por ser um filme infantil. No entanto, consegue atingir perfeitamente o seu objetivo ao recriar a saga do sombrio Hamlet com o simpático leão.

O Rei Leão 2 (Direção: Darrell Rooney e Rob LaDuca, 1998)220px-SimbasPrideVHS

“Se uma vez foi bom, duas vezes pode ser melhor”. Essa provavelmente foi a ideia dos roteiristas da Disney ao escrever o enredo de O Rei Leão 2. Kiara e Kovu se conhecem e acabam se apaixonando, porém suas famílias são rivais – Kiara é filha de Simba enquanto Kovu está do lado dos exilados ao lado de Scar. Ao transpor às telonas a trágica história de Romeu e Julieta, a Disney mais uma vez conseguiu dar um final mais feliz ao drama shakesperiano. Talvez não seja tão bom quanto o original, mas consegue nos sensibilizar da mesma forma com que o bardo o fazia.

AngoorDVDCoverAngoor (Direção: Gulzar, 1982)

Os filmes de Bollywood são conhecidos por serem extremamente alegres. Danças surgem nos contextos mais improváveis, dando uma quebra aos momentos tensos da drama – o que ainda choca um pouco o mundo ocidental. Há melhor lugar para se gravar uma das melhores comédias de Shakespeare do que esse? Os casais de gêmeos Ashok (os meninos) e Bahadur (as meninas) são separados por um acidente na infância. O resto é a clássica história de d’A Comédia dos Erros. A diferença dessa adaptação para outras é o frescor dado por Bollywood, com danças e cores, além de muitas risadas à la indiana. Um filme gostoso para quem quer redescobrir Shakespeare por outras culturas.

 Dez coisas que odeio em você (Direção: Gil Junger, 1999)10_Things_I_Hate_About_You_film

Quem vê ou via a famosa Sessão da Tarde já deve ter se deparado com a história de Patrick Verona e Kat Stratford. Patrick é pago por Bianca e Cameron, o namorado dela, para conquistar Kat, a irmã mais velha de Bianca. O pai de ambas só deixará que a caçula namore depois que Kat arranjar um namorado. Assim vemos mais uma vez A Megera Domada em ação. Pode ser na Itália renascentista ou numa escola americana, a força da história de Petrúquio (ou Patrick) para conquistar Catarina (Kat) se mantém a mesma. Talvez a versão exibida na Sessão da Tarde seja um tanto quanto açucarada demais, contudo é um bom filme onde mostra que as histórias de Shakespeare podem atingir qualquer público.

Ran_Akira_KurosawaRan (Direção: Akira Kurosawa, 1985)

No meio do Japão medieval, Hidetora decide dividir o reino entre os três filhos por estar velho demais, exigindo, porém, manter seu título, bem como a hospitalidade para com ele pelo resto de vida que lhe sobra. Saburo, o filho mais novo não aceita a proposta, chamando o pai de “velho tolo”. Ele acaba deserdado por traição ao velho senhor feudal. O que vemos depois é que Saburo estava certo, pois seus dois irmãos, Taro e Giro, acabam desrespeitando o antigo líder e entram em guerra pelo poder total do reino, enquanto ele cuida como pode de Hidetora. Esse épico japonês baseado em Rei Lear mostra que não importa lugar ou a época; as tramas encenadas de Shakespeare são universais, podendo ocorrer em qualquer cenário, por mais improvável que ele seja.