O desejo em “Confissões de uma Máscara”, de Yukio Mishima

O desejo na obra Confissões de uma Máscara de Yukio Mishima

Yukio Mishima é um dos grandes autores japoneses do período pós-guerra, pseudônimo de Kimitake Hiraoka, o autor escreveu uma obra extensa e em vários pontos autobiográfica. Um tema recorrente ao longo de seus livros é a beleza e de, forma mais profunda, o desejo por ela, desejo muitas vezes sexual, expresso em personagens profundos e carregados de ambiguidades.

Um desses personagens está na obra Confissões de uma Máscara (link afiliado), seu romance de estreia, que vai narrar a história de vida de um protagonista de nome vago: Kochan.

Em descrições vívidas e recheadas de divagações, acompanhamos os desejos cada vez maiores de um indivíduo em oposição com que o mundo pede dele. O nome vago parece ser proposital, uma provocação, somos todos Kochan, numa ponderação eterna entre o desejo e o dever.

 

São Sebastião pintado por Guido ReniA história e o desejo em Confissões de uma máscara

O protagonista, desde uma infância remota, mostra paixão pela figura de um santo católico, São Sebastião, assim como Mishima alimenta um fascínio pela figura de samurais desde muito jovem. A figura sem camisa e num sofrimento esboçado por expressões amenas desperta em Kochan fascinação.

A princípio, o sofrimento o faz imaginar as situações que levaram aquele jovem, dono de um corpo belo, a uma morte tão dramática e as palavras de Oscar Wilde caem bem, como uma ode ao guerreiro que se entrega em meio ao junco.  

E os seus desejos por aquele corpo atlético açoitado por flechas encontram escape na prática do seu chamado “mau hábito”, o sagrado da figura martirizada e o profano do prazer se tocam, um dualismo de Mishima.

A prática de seu “mau hábito” leva o jovem a um quadro de anemia, situação capaz de causar no mínimo estranhamento ao leitor, mas não sem antes ser ilustrada por Mishima numa bela cena junto ao mar. O desejo tem consequências, mas também apresenta alguma, muita, beleza.

 

O que esperar do restante da obra?

Tudo isso ocorre na primeira parte da história e Confissões de uma Máscara (link afiliado) guarda muito mais em suas páginas. O final da obra não traz uma reviravolta ao melhor estilo dos suspenses atuais, mas o caminho que o protagonista traça entre seu desejo sempre presente e o mundo externo é o ponto alto da obra.

Ao longo de uma vida agitada, Yukio Mishima mostrou uma máscara de arrogância para o mundo, enquanto no íntimo era um homem sensível e vulnerável. A arte não apenas imita a vida, como a deturpa para tornar a realidade mais bela, mais desejável.

Arthur Souza Autor

Um estudante de Psicologia que quer ser escritor e fã incondicional de histórias tristes.