“Desordem” é o primeiro livro da plataforma de crowfunding Bookstorming

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Para traduzir a Odisseia para o inglês, no século XVIII, Alexander Pope pediu ajuda financeira aos leitores. Ou seja, a ideia de financiamento coletivo para projetos literários não é nada nova. Mas todas as possibilidades de investimentos em projetos assim precisa ser destacada.

Nasce no Brasil a primeira plataforma de crowdfunding exclusiva para livros: a Bookstorming. A ideia é que o site apresente aos leitores o projeto literário, e se esses leitores se interessarem, invistam financeiramente na ideia. Atingida a meta (quantidade de livros), a obra começa a ser produzida: com capa, projeto gráfico e edição do texto. Quando o livro ficar pronto, o leitor que contribuiu recebe um exemplar em casa.

book_coverO primeiro projeto da Bookstorming é o livro Desordem (leia trechos), uma antologia de contos inéditos de sete autores, todos com livros publicados e alguma trajetória literária; são eles: Natércia Pontes, Cristiano Baldi, Erika Mattos da Veiga, Paulo Bullar, Patrick Brock, Olavo Amaral e Katherine Funke. Entre os apoiadores do projeto estão José Luiz Passos, José Castello e Paulo Scott, importantes nomes da literatura brasileira contemporânea.

Perguntamos a Katherine Funke, uma das autoras presentes na antologia, o que representava o apoio desses nomes; ao que, ela respondeu: “nesses tempos em que está tão fácil publicar e divulgar (e se autopublicar e se autodivulgar), talvez o mais difícil seja escolher, conhecer o que é mesmo bom, por isso chama atenção esse cuidado com a seleção dos autores para a Desordem – feita pelos editores a partir de aconselhamentos desses três grandes escritores. Meu sentimento é de gratidão porque não fiz nada, nenhum esforço extra, digamos assim. De repente recebi um e-mail e fiquei sabendo que estava sendo selecionada e tal. Sinal de que o esforço contínuo pode demorar um pouco, mas tem resultado. Fico feliz principalmente por já ter sido lida pelos que cuidaram do processo de seleção e ter sido, digamos assim, ‘aprovada’”.

Ao ser questionada sobre o potencial do projeto, Katherine respondeu que: “se chamaram sete autores, então deve haver muitos outros como nós, produtivos, relativamente desorganizados, sem agentes literários, sem grandes editoras nos apoiando, mas sempre em movimento, em busca. Pelo que sei boa parte de nós temos outros inéditos na gaveta, ou seja, desses sete autores podem surgir novos títulos, a depender da repercussão da antologia”. E ainda salientou algo fundamental para o crescimento da literatura no Brasil: “o que ainda precisa é que os novos escritores também se leiam, ou seja, se apoiem, minimamente se conheçam”.

A meta do projeto é vender 700 livros para viabilizar a impressão. Então aproveite para conhecer ainda mais a ideia, acessando: bookstorming.com.br