Especial sci-fi: O Planeta dos Macacos, de Pierre Boulle

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Reeditado pela Aleph, o romance O Planeta dos Macacos, de Pierre Boulle, vai muito além das suas adaptações cinematográficas

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Pierre Boulle

O Planeta dos Macacos é mais conhecido pelo público como uma série de cinema (seja a clássica ou a mais recente) (em respeito aos fãs, não mencionaremos o Tim Burton), mas se originou de um livro, escrito em 1963 pelo francês Pierre Boulle. Depois de muito tempo afastado dos leitores, ele finalmente retorna pela Editora Aleph, em edição extremamente bonita.

A história abre com um casal de astronautas—viajando pelo universo. Jinn e Phyllis, em alguma época remota do futuro, passam languidamente os dias em sua nave, aproveitando a visão do cosmo, até que se deparam com um artefato à mercê do vácuo do espaço, contendo o relato curioso de um homem que se  defrontou com um planeta povoado por macacos inteligentes. Daí entramos na narração de Ulysse, o homem em questão, que reconta uma viagem espacial que deu errado, colocando-se, e a seus companheiros de nave,  nas mãos da civilização símia, que conhece humanos apenas como animais sem consciência.

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Capa da edição lançada pela Aleph

Feito prisioneiro, Ulysse faz o possível para sobreviver entre os macacos, e os humanos por eles escravizados. Ele encontra ajuda na chimpanzé Zira, uma cientista que manifesta interesse nas habilidades de raciocínio do estranho e se dispõe a prová-las para o restante da sociedade.

Há muitas análises a respeito de O Planeta dos Macacos como uma crítica social; me concentro em seus méritos como ficção científica, apenas, e eles existem. Se o livro não é tão longo, ele certamente é original e transgressor para sua época. Ofuscado por suas adaptações cinematográficas, das quais difere em vários pontos, ele se sustenta por si mesmo, conseguindo suscitar as mesmas emoções que acompanhamos com Charlton Heston, e terminando a história com um final que não é como o do filme — a cena na praia, a estátua da Liberdade — mas talvez ainda mais inesperado, igualmente chocante.

Para os fãs da ficção científica, a leitura de O Planeta dos Macacos é uma espiada interessante nos experimentos do gênero em meados do séculos passado, anos revolucionários para as artes.

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