Praticando a loucura

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Sim, o escritor é um louco. Pois somente um louco não se deixa abalar por mal dizeres, por um futuro incerto e por falsos elogios. Somente um louco cai mil vezes e, mesmo assim, ainda pensa que cair é necessário ao seu aprendizado. O escritor é persistente. Ao cair ainda pensa que as pedras são motivos de escrita. Levanta, pega um lápis e começa a rabiscar poemas sobre as pedras que encontramos no caminho.

Não, o pretendente a escritor não tem cura. Esse indivíduo que pretende ser um grande ou pequeno escritor se joga no escuro. Matricula-se em cursos de produção escrita com a pretensão de aprender a ser bom escritor. Mas é insanidade. Nem todo conhecimento gramatical, lexical ou moral livrará o futuro escritor da dor colateral.

Pois dói. Escrever é um ato sadomasoquista. A prática da escrita exige a compreensão da dor na alma e nas costas. Nem a inspiração, nem toda ação e muito menos a “loucuração” do desejo desenfreado em escrever livra o escritor das dores profundas e das cicatrizes permanentes que todo escritor tem.

Ilusão é pensar que escrever é um simples hobby. Não é. Um hobby é prática esporádica. Em dias de chuva o melhor é se afundar nas cobertas e comer pipoca. O escritor ignora a chuva, fecha os olhos para o cobertor e alimenta a fome pela escrita. É necessário escrever. As manifestações da natureza não são empecilhos, mas bons e lógicos motivos para a prática da escrita.

Em suma, todo escritor adora praticar a loucura da criação. Soltar a imaginação, jogar nas brancas folhas seus medos e maldizer suas dores através de seus personagens. Verdades são ditas por intermédio de pessoas criadas, inventadas.

E quem irá dizer que escrever não é um ato insano?