Resenha: A Maldição de Sarnath – H.P. Lovecraft

1
1235

Sim! Fui apresentado a H.P Lovecraft, mas eu estava um pouco desconfiado que a qualquer hora ele me surpreendesse com um: BUUU! Tentando me assustar. Você tem que concordar que é o que se espera de um dos papas da literatura de terror, mas não foi o que ocorreu. Na verdade eu comecei a lê-lo e aos poucos ouvia uma voz áspera e sorrateira a me narrar a história com seu estilo único.

Eu não sabia em quem acreditar, mas estava cada vez mais ansioso para entrar para sempre na terra desconhecida, pois a dúvida e o mistério são a isca das iscas, e nenhum novo horror pode ser mais terrível que a tortura diária da banalidade.
(Pg. 76, Ex oblivione, H.P. Lovecraft)

No estilo de Lovecraft, horror e mistério caminham juntos com suas mãos descarnadas entrelaçadas pelos dedos em decomposição.

O livro A Maldição de Sarnath,da Editora Iluminuras, é uma coletânea de contos curtos e longos do autor. As histórias falam de: mistérios antigos; deuses terrestres e extraterrestres; o futuro da Terra, depois do homem; e claro, como não poderia ser diferente em histórias de terror bem escritas, o medo e as alucinações despertados pelo fantástico.

O livro tem os seguintes contos: Os outros deuses; A árvore; A maldição de Sarnath; A tumba; Polaris; Além da barreira do sono; Memória; O que vem com a lua; Nyarlathotep; Ex oblivione; Os gatos de Ulthar; Hypnos; Nathicana; Do além; O festival; A cidade sem nome; A procura de Iranon; O rastejante caos; Nas muralhas de Eryex; Encerrado com os faraós.

Deixo uma das citações que mais gostei do livro:

Vemos coisas apenas na medida em que somos formados para vê-las e não conseguimos alcançar nenhuma ideia de sua natureza absoluta. Com cinco precários sentidos pretendemos compreender o complexo e cosmos, embora outros seres com um leque de sentidos mais amplos, mais poderosos e diferentes poderiam, não só ver as coisas de modo muito diferente do que vemos, mas ver estudar mundos inteiros de matéria, energia e vida que nos são próximos mas não podem ser detectados pelos sentidos de que dispomos.
(Pg. 98, Do Além, H.P. Lovecraft)