Para estancar essa sangria: melancolia irônica em versos de Baga Defente

“Pra estancar essa sangria” (2021) é a mais nova coletânea de poemas de Baga Defante, publicada pelo NADA∴Studio criativo.

Dois poemas e dois vídeos-poemas de Baga Defente - Ruído Manifesto
Baga Defente, foto divulgação

“Pirate love
Is what I’m looking for
Pirate love
Is what I’m wanting for”

Pirate Love, por Johnny Thunders and the Heartbreakers

Amor pirata (Pirate Love) é o título do prefácio de um dos livros que mais me tocaram neste ano da graça de 2021. Foi um ano conturbado sentimentalmente para este que vos escreve, por isso a coletânea de poemas do Baga Defente, “Pra estancar essa sangria”, me causou profundo acalanto.

O título de sua “tetralogia etílico-poética” faz jus à ironia presente nos poemas que o compõe. Surgiu através dos diálogos gravados, nos quais o político Romero Jucá fala sobre um grande pacto para deter o avanço da, hoje extinta, Operação Lava-jato (descanse em paz). Mas, diferentemente do destino da falecida operação, “Pra estancar essa sangria” se despede sem querer dar adeus, é o desejo de alguém que quer amar e ser amado, entregar-se às paixões azuis solitárias errantes do mundo. Quem não gostaria de toda essa entrega emocional?

Sobre solidão e despedidas: Baga Defente lança “Pra estancar essa sangria”  – Eu Já Estive Em
Capa

A melancolia e a ironia apaixonada está entregue nesse mix que engloba três obras lançadas e já esgotadas do autor: “enquanto você toma rumo eu tomo rum” (2015), “cointreau+alt+delete” (2015) e “PINGALOVE” (2016), além do “Birinaits” (2017), um conjunto pequeno de poemas não publicados anteriormente, fechando sua “tetralogia” lançada oficialmente em junho de 2021, realizada pelos recursos da Lei Aldir Blanc.

Saquem só este trecho:

“esses dias li não num muro

mas num poemalheio

que o poeta não escreve sobre si

escreve sobre só                                                                                            (roubei)

também dizem que

o contrário do amor

não é o ódio

mas a indiferença

por isso a omissão

desconforta mais

que uma ofensa

&

teu silêncio sustentado indefinidamente magoa

quem só quer um acorde perfeito maior”

Sentiu a profundidade? Baga Defente cria o cotidiano de um amor que não existe — ou não mais — através de uma narrativa que resgata nas memórias afetivas daqueles(as) que leem a miséria das ilusões humanas.

Não é só pelo olhar sensível sobre a condição humana passional, mas também pelo resgate das palavras escritas num papel (guardanapo de bar, talvez?) para gritar e voltar à vida, à vida cotidiana.

Deixo aqui também dois videopoemas para dar um gostinho e estancar vossas sangrias. Basta clicar nos links abaixo e se deixar levar pela embriaguez da poesia:

“Poema Chulo #2” e “Poema Cas’leluia & Final Brega”, ambos presentes em sua “tetralogia”, corre lá!

Sobre o autor

Fonte: Instagram

Baga nasceu em Ourinhos, morou na capital paulista e vive atualmente em Botucatu (todas são cidades em São Paulo). Garoto da megalópole, é formado em Cinema pela Academia Internacional de Cinema e, desde 2015, dedica-se a publicações independentes. É reconhecido em mais de 10 países por seus videopoemas e possui aproximadamente 18 títulos editados entre suas próprias obras e de outros autores pelo NADA∴Studio criativo, “um híbrido de ateliê de criação multimídia com microeditora independente”, o qual Baga é fundador, editor e diretor criativo. O livro está à venda no site de sua editora. Acompanhem mais o seu trabalho no Instagram: @bagadefente e @nadastudiocriativo.

 

Referências:

Defente, Baga. Pra estancar essa sangria

Baga Defente. 1. Ed. – Botucatu, SP: Nada Studio Criativo, 2021.

Site: https://leituras.org/defente/

Créditos HL

O texto acima é de autoria de Fernando Araújo Neto. A revisão é de Raphael Alves. A edição é de Mario Filipe Cavalcanti, Editor-Chefe do Homo Literatus.

Fernando Araujo Neto
Recifense, graduando em ciências sociais pela UFPE, apaixonado por cultura popular
Fernando Araujo Neto
Recifense, graduando em ciências sociais pela UFPE, apaixonado por cultura popular
Revisão por
Raphael Alves
Graduado em Letras-bacharelado. Escreve por trabalho e diversão. A curiosidade um dia o matará; enquanto isso, escreve sobre a agonia e o prazer das últimas descobertas.
Editoria por
Mario Filipe Cavalcanti
http://editora.cepe.com.br/autor/mario-filipe-cavalcanti
Editor-chefe do Homo Literatus, é recifense de nascimento, paulistano de contemporaneidade, Bacharel em Direito pela UFPE e advogado em Propriedade Intelectual e Privacidade, escritor com ênfase em contos, Prêmio Pernambuco de Literatura. Mestrando em Ciências da Comunicação pela USP, algumas coisas mais e, sobretudo, absolutamente nada.
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