Resenha: Cachorros de Palha – Jonh Gray

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Céu e terra não têm atributos e não estabelecem diferenças: tratam as miríades de criaturas como cachorros de palha. Lao-Tsé

Cachorros de Palha, de Jonh Gray, é um livro de filosofia moderno, que ataca diretamente pontos do pensamento ocidental. Gray questiona a visão de que sejamos diferentes dos animais, demonstrando sua origem na religião (principalmente cristianismo), e que depois se manifesta no pensamento científico. O autor simplesmente ridiculariza a forma como cientistas e intelectuais que atacam a religião, colocam sua fé de forma irracional na ciência. De forma alguma ele é contra os métodos científicos, e em nenhum momento ele deixa de dar mérito às descobertas, mas examina a questão de forma transparente.

Outro ponto abordado no livro, e diria que um dos principais, é o relacionamento do homem com a Terra. De uma forma desafiadora, o autor nos coloca diante das perspectivas de futuro (ou não futuro) da nossa civilização.

Gray também nos questiona sobre o nosso modelo de vida baseado no trabalho constante. Falamos em conforto, entretanto, cada vez trabalhamos mais.

Nada é mais estranho à presente era do que o ócio. Se pensarmos em descansar de nossos labores, é apenas para poder voltar a ele. (Pg. 208)

A origem do título, Cachorros de Palha, fica explicada no seguinte trecho:

Nos antigos rituais chineses, cachorros de palha eram usados como oferendas para os deuses. Durante o ritual, eram tratados com a mais profunda referência. Quando terminava, e não sendo mais necessários, eram pisoteados e jogados fora: “Céu e terra não tem atributos e não estabelecem diferenças: tratam as miríades de criaturas como cachorros de palha.” Se os humanos perturbarem o equilíbrio da Terra, serão pisoteados e jogados fora. O críticos da teoria Gaia dizem que a rejeitam porque não é científica. A verdade é que têm medo e ódio da teoria, porque isso significa que os humanos nunca podem ser nada além de cachorros de palha. (pg. 50)