Três Professores Contra o Racismo!

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É preciso unir as vozes e perceber que os alicerces do racismo são profundos, mas cada chacoalhada causa efeito.

O espectro do racismo

Em junho de 2017 me deparei com algumas matérias na mídia impressa e digital que me deixaram perplexo: mais um caso de racismo. No momento me choquei menos com o racismo em si (e isso é péssimo), do que com a forma como absurdamente ele se naturaliza na sociedade brasileira. Eis o relato da própria vítima:

“Fui na loja mandado pelo meu patrão para fazer umas compras. Fiz as compras normal, vi que faltou uma parte do dinheiro e fui pegar no carro. Quando voltei, a loja estava fechada só para mim e chamaram a polícia”

 

A vítima era o Sr. Mário José Ferreira, motorista do advogado Gilberto Lima, que costumava fazer as compras do patrão semanalmente naquela mesma loja, mas que sempre ia fardado. No dia que não foi, acharam que ele era um assaltante, mesmo tendo dinheiro na mão, e não uma arma. Detalhe, ele era negro. A polícia logo chegou e, racista como também é, queria enquadrar a própria vítima nos crimes de ‘tentativa de roubo’ e ‘porte de arma’. Onde estava a arma? Apontada para o rosto da vítima:

“Não gosto nem de descrever o que aconteceu. Um cara que paga seus impostos, ter uma arma em cima de você e todo mundo olhando. Os ônibus, os motoqueiros… Eu não sei o que dizer, a minha cabeça está a mil. Que tipo de assaltante deixa R$ 600 e sai?”

 

Menos de um mês antes, outra matéria havia chocado a todos, a manchete era: “jovem negra é acusada injustamente de roubar um casaco que era seu”. Essas manchetes demonstravam a olhos nus o que muitos tentavam ignorar: não existe democracia racial no Brasil.

Um triste flashback

Naquele momento, conversei com o professor de filosofia da Universidade de Brasília (UnB), Dr. Wanderson Flor do Nascimento, sobre o racismo na sociedade brasileira. Uma entrevista reprisada aqui no Homo Literatus, esse ano com o título: ‘É preciso combater o racismo hoje!‘, e que recomendo muitíssimo para leitura e estudo desse tema.

Três anos depois e em plena Pandemia do Covid-19 que tem virado o mundo de ponta cabeça, vemos no Brasil novos casos escandalosos de racismo, como o do menino João Pedro, 14 anos, que sonhava ser advogado e foi morto no Rio de Janeiro em maio de 2020 dentro de casa com mais de 70 tiros pela polícia ou o caso do menino Miguel, 5 anos, filho de uma empregada doméstica, que caiu do nono andar de um prédio de luxo no Recife, após sua mãe ir passear com um cachorro da patroa, e que tinha ficado sob uma supervisão que nunca existiu. Detalhe: todos eles negros.

No lado de cima do hemisfério, os EUA vivem protestos diários e a juventude na rua contra o racismo estrutural, protestos esses gerados pela morte igualmente escandalosa de George Floyd, assassinado por um policial de forma brutal e sem qualquer motivo.

Esses fatos nos pesam enormemente, enquanto sociedade e enquanto civilização. Diante deles, voltamos a consultar o professor Wanderson Flor, e dessa vez somamos a ele a opinião dos professores Dr. Érico Andrade (Filosofia, UFPE) e Dr. Eneus Trindade (Comunicação, USP).

Três professores contra o racismo!

HOMO LITERATUS – Wanderson, desde a nossa última entrevista em 2017, três anos se passaram, o deputado de extrema direita Jair Bolsonaro se elegeu presidente, numa coalizão de centro-direita com a extrema direita para derrotar o candidato de centro-esquerda, Fernando Haddad. Quais previsões se concretizaram acerca da política racista do Bolsonaro?

O discurso armamentista em um país racista, só pode resultar em mais mortes de pessoas negras, o que vem se verificando

WANDERSON FLOR – Esse é um caso muito sui generis em nossa história. Não precisou que se fizessem previsões, porque o presidente mesmo foi contando, ao longo dos anos, a maneira como entendia a política racial no país, e como achava que ela deveria ser. Sob o pretexto de ter um amigo, um “irmão” negro ( o Deputado Federal Hélio Lopes), Bolsonaro, que já havia dito que não voaria com um piloto cotista, que não se operaria com um médico cotista – entendendo a ambos como negros – e mostrando-se sempre contrário às políticas de cotas, que afirmou que não concederia um centímetro de demarcação de territórios quilombolas e indígenas, vem cumprindo à risca seus ditos públicos; tudo isso sem precisar entender a si mesmo como racista. No tocante às políticas raciais – e me preocupa a chegada em 2022, momento em que as cotas serão avaliadas nacionalmente, com este governo – ele apenas vem cumprindo o que, explicitamente, afirmou. O discurso armamentista em um país racista, só pode resultar em mais mortes de pessoas negras, o que vem se verificando. Embora o número de mortes por homicídio tenha, efetivamente, caído no ano passado, este percentual reduzido não se reflete, com a mesma intensidade, no que diz respeito à mortalidade da população negra – seja pela polícia, seja por outros agentes. Os números continuam contra a população negra.

sem dúvida nenhuma, me parecem existir inspirações fascistas no atual governo, mesmo que incompletas; o que já é motivo de alerta

HL  Pode-se dizer que o governo atual é fascista? Por quê?

WF – Se por fascismo entendermos o movimento que ocorreu na Europa, na primeira metade do século passado, eu tenderia a dizer que não. Muito embora, muitos dos elementos que compunham o fascismo (culto à personalidade do líder, nacionalismo exacerbado, incitação ao ódio, militarização da base do governo, só para citar alguns) estejam fortemente presentes no governo Bolsonaro. Como o fascismo tinha uma forte recusa ao liberalismo, temos, por enquanto, alguns elementos vinculados à defesa, ao menos discursiva, de posições liberais por parte do atual governo que impedem uma total identificação com os movimentos fascistas. Mas, sem dúvida nenhuma, me parecem existir inspirações fascistas no atual governo, mesmo que incompletas; o que já é motivo de alerta.

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HOMO LITERATUS – Érico, vivemos uma espécie de retorno dos movimentos fascistas que, efetivamente têm conseguido tomar o poder central de muitos países, justamente da mesma forma ocorrida nos anos 30 do século passado: por meio da aliança com partidos políticos de direita e centro-direita, das camadas empresariais, da classe média e da mídia estabelecida, para derrocada dos progressistas e dos partidos de centro-esquerda. Essa ‘aliança’ pode resultar na morte da democracia?

As eleições de Trump e Bolsonaro foram reações conservadoras à abertura de horizonte das políticas progressistas

ÉRICO ANDRADE – Os movimentos autoritários nascem e são gestados numa atmosfera de crise política e econômica. Contudo, hoje é importante introduzir também o caráter reativo dos movimentos autoritários que se instituem como contraponto a avanços nos direitos individuais e coletivos. As eleições de Trump e Bolsonaro foram reações conservadoras à abertura de horizonte das políticas progressistas. Isto é, se trata de uma reação que não capitaliza apenas o discurso econômico, ou mais precisamente, a crise econômica para a qual se teria uma solução rápida e que começaria com o fim da corrupção, mas de se capitalizar um desconforto de certos setores sociais (especialmente homens brancos e numa menor proporção mulheres igualmente brancas) com o avanço das pautas identitárias. Disso se segue uma contradição notável. Os movimentos autoritários usam a democracia em benefício próprio. Isto é, usam o direito de liberdade de expressão como forma de silenciar as diferenças. Sem as diferenças a democracia perde a razão de ser.

HL – O que, exatamente, é o movimento antifascista?

EA – O movimento antifascista consiste na reafirmação dos valores da diferença, que neste caso fundam a experiência radical da democracia, por meio da defesa do pluralismo político. Para que este pluralismo paute a democracia é necessário condições materiais graças às quais as pessoas historicamente oprimidas possam apresentar as suas perspectivas sobre a vida pública e tenha, numa palavra, voz. Um lugar de fala.

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HL – Wanderson, podemos dizer que a Fundação Palmares exerce hoje os fins para os quais se destina? Há políticas de inclusão social para os negros, maioria do país, nesse governo atual?

Se não se compreende o racismo como um motor contra-cultural para as produções negras, a Palmares se desvia dos fins iniciais

WANDERON FLOR – A Fundação Cultural Palmares é hoje, em suas ações, completamente desligada do intuito inicial de valorizar, fomentar, preservar a cultura negra em nosso país. Como o atual presidente sustenta o discurso de que não há nada a se valorizar em uma cultura negra que não se faça valorizando a cultura nacional como um todo (uma curiosa variante do discurso da democracia racial), acaba por invisibilizar o modo como o racismo atua sobre a cultura. Os objetivos iniciais da Palmares eram exatamente enfrentar o racismo no que ele fez e faz ao buscar desvalorizar o que foi legado pelos povos africanos que para cá foram trazidos e aquilo que aqui se criou a partir das heranças africanas. Se não se compreende o racismo como um motor contra-cultural para as produções negras, a Palmares se desvia dos fins iniciais. Todas as políticas de inclusão para negras e negros que hoje estão em vigência – como o caso das cotas raciais para o ingresso nas universidades e em concursos públicos, por exemplo – são heranças de governos anteriores. Até onde tenho acompanhado, não vi absolutamente nenhuma política focal, direcionada à inclusão social da população negra, no atual governo.

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HOMO LITERATUS  Eneus, em plena Pandemia do Covid-19 vivemos inúmeros breaking news nos noticiários pandêmicos para retratar avanços de políticas fascistas e racismo. Os noticiários têm retratado de maneira acertada esse vírus antigo do racismo, ou ainda há timidez?

No Brasil essa discussão ganha os contornos do atraso que é hegemônico na nossa sociedade e que tem dificuldade de superar o racismo  e adquirir práticas culturais antirracistas

ENEUS TRINDADE – Tudo está em desacerto. Primeiro há uma subnotificação dos casos. Não há testagem e as causas das mortes estão subnotificadas. Nessa esteira, a doença chegou com as classes altas e se espalhou para as camadas pobres e sem recursos, com isso  toda carga do racismo estrutural ganhou espaço para se reacender. E associados aos acontecimentos nos Estados Unidos com a morte do rapaz Goerge Floyd pela polícia esse caldo  ganhou corpo. No Brasil essa discussão ganha os contornos do atraso que é hegemônico na nossa sociedade e que tem dificuldade de superar o racismo  e adquirir práticas culturais antirracistas. Com os últimos governos do PT houve um avanço, mas parece que não foi sólido. Assim como nos EUA que elegeram Obama e na sequência elegeram Trump. Isso mostra que essas duas sociedades  ainda vivem conflitos raciais não resolvidos em seus percursos civilizatórios.

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HL – Érico, vivemos recentemente, todos em coletividade, a perda do menino Miguel em Recife. Menino negro, filho de mãe negra, empregada doméstica, que mesmo na Pandemia do Covid-19 foi obrigada a trabalhar no apartamento de luxo da patroa, que mandando que a empregada fosse passear com sua cadelinha, ficou responsável pelo Miguel e deixou que ele caísse do nono andar do prédio de luxo e viesse a falecer. Há sinais de racismo aí, em mais essa morte brutal?

ÉRICO ANDRADE – O racismo estrutural é desenhado na sua forma mais perversa no caso de Miguel. Gravei um vídeo sobre isso no canal @nozcoletivo no IGTV do Instagram. É possível encontrar esse vídeo também na minha página pessoal do Facebook. Meu ponto é que Miguel é a vítima de uma história de colonização que sempre relegou as vidas negras à própria sorte.

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HL – Wanderson, o homicídio de George Floyd, nos EUA, foi praticado por policiais que, como se sabe, são agentes estatais, fardados e em serviço. Hoje, esses agentes enfrentam o Poder Judiciário, mas o Poder Executivo norte-americano, maior responsável pelo racismo estrutural, prossegue reprimindo as manifestações, agora taxando os manifestantes de ‘terroristas’. Há motivos para tolerância ao racismo estrutural em regimes verdadeiramente democráticos?

o racismo foi o combustível econômico e político para a construção da democracia moderna, até o século XIX

WANDERSON FLOR – Há muitas maneiras de responder essa pergunta. Eu gostaria de seguir aqui a leitura histórica, bastante indigesta, mas precisa, de Achille Mbembe. Ele nos conta que a democracia moderna surgiu coexistindo, sem muitos dramas, com a escravidão e a violência estatal. Isso não é novo para a democracia. E ela nunca se viu em risco, até muito recentemente, pela presença estrutural do racismo no mundo moderno. Historicamente, a democracia e o racismo não só não foram incompatíveis, como o racismo foi o combustível econômico e político para a construção da democracia moderna, até o século XIX. Essa guinada em defesa de direitos humanos que incluam populações não brancas é muito recente e o maquinário ideológico democrático ainda está aprendendo a lidar com essa que foi uma de suas componentes fundamentais. Isso se deu porque, historicamente, o mundo moderno não considerou as pessoas negras exatamente como pessoas. E, em alguma medida, a gramática moral da modernidade aprendeu a ser tolerante em relação à violência exatamente diante da convivência rotineira com as atrocidades que o racismo promoveu em relação às populações negras e originarias de nosso continente. Para que nos livremos do racismo seria necessário reescrever essa gramática moral, o que não é uma tarefa nada fácil, porque nossos valores civilizatórios foram forjados a partir dessa gramática. É isso que Mbembe chama de corpo noturno da democracia, esse lado obscuro que, mais que acidental na história de sua construção moderna, foi dela constituinte.

Para que nos livremos do racismo seria necessário reescrever essa gramática moral, o que não é uma tarefa nada fácil, porque nossos valores civilizatórios foram forjados a partir dessa gramática

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HL – Eneus, podemos dizer que o fato das mortes trágicas de crianças negras no Brasil, por atos igualmente arbitrários das polícias, como a do menino João Pedro, não gerarem a comoção popular como a morte semelhante de George Floyd, nos EUA, retrataria uma apatia gerada pela construção de um discurso racista velado, no Brasil?

ENEUS TRINDADE – Eu não diria que é velado. É um racismo naturalizado por isso estrutural. As pessoas entranham como natural sem crítica ou autocrítica.

HL – Pudemos assistir recentemente uma pauta considerada ‘histórica’, porque nunca dantes feita pela ‘Rede Globo’, onde cinco jornalistas negras eram entrevistadas por um âncora negro, sobre suas experiências com o racismo na sociedade brasileira. Por que essas pautas são incomuns?

o comum se apresenta por um mundo editado do ponto de vista hegemônico branco machista heteronormativo

ET – Se fossem comuns não haveria preconceito. Como há o peso hegemônico, o comum se apresenta por um mundo editado do ponto de vista hegemônico branco machista heteronormativo. Se esse discurso se mostra como episódio excepcional ele é indicador de que há muito a ser feito para uma mudança social.

HL – O movimento ‘fique em casa’, imperativo nascido com a pandemia do Covid-19, demorou bastante para entender a resistência daqueles que não tinham casa onde ficar. Pode-se dizer que há um racismo sistêmico também nos meios de comunicação brasileiros?

ET – Sim o racismo é econômico, mascarado por um discurso que se justifica por características étnicas. Mas o fundo de tudo está na economia.  Nessa correlação fica evidente que para os negros, que são também os mais pobres, fica difícil comprar EPIs em detrimento de transporte público e alimentação. Entre sobreviver e viver o confinamento em padrões que a realidade dos mais pobres jamais atingiu. É difícil. Aí vem o discurso racista, “Só negros andam na rua sem EPIs!”, mas  esse negro é o mais pobre, que não dispõe de moradia e condições de vida e financeira para viver a pandemia com segurança.

HL – No seu entender, como o racismo empreende verdadeira mediação sobre as mídias no mundo?

ET – Na forma naturalizada como a mídia constrói seus repórteres, personagens, programa, publicidade. Qual o lugar do negro e do indígena nesta realidade midiática?  Embora exista muita discussão antirracista sobre as mídias.

Sobre esperança em tempos difíceis e a necessidade de combater o racismo

Ao final das entrevistas, fiz a mesma perguntas aos nossos três professores contra o racismo:

No seu ponto de vista, há uma mensagem de esperança para o mundo? Qual? Eles nos responderam o seguinte:

WANDERSON FLOR – Paradoxalmente, essa mesma gramática moral da modernidade, que aprendeu a tolerar a violência para com relação a esse outro com quem mantemos relações de inimizade – em nosso caso, a população não branca -, está tomando rumos imprevistos para o funcionamento desta mesma gramática. Embora em níveis e intensidades diferentes, essa violência que antes só atingia a população não branca (ou pelo menos não causava grandes comoções quando atingia negros e indígenas, por exemplo), está se alastrando. Atingindo, inclusive, pessoas que não eram parte desse grupo mais vulnerável. As pessoas têm começado a perceber que a violência que atinge uma pessoa negra ou indígena  não está mais impedida de atingir a qualquer pessoa, embora os alvos privilegiados continuem a ser pessoas negras e indígenas, em nosso país. O mesmo se deu nos EUA. E por isso, essa onda de protesto antirracista. Eu não penso que esses protestos sejam capazes de reescrever a gramática moral da modernidade, mas acho um primeiro passo fundamental, perceber que o racismo não é uma dimensão acidental do nosso mundo, mas constitutivo. E isso só é possível quando se percebe, efetivamente, o racismo como um problema grave para toda a sociedade e não apenas para um grupo, mesmo quando atinja apenas esse grupo. Talvez a esperança esteja aí. Se formos capazes de perceber o que, de fato, se passa, teremos alguns dos elementos necessários para começar a mudança… para começar…

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ENEUS TRINDADE – Estamos num período muito difícil da história mundial e nacional. Não há luz no fim do túnel, ainda. Há uma evidente bifurcação social que implicará em novas organizações do social, cultural e econômica, grosso modo, dividida entre os que têm acesso ao digital e condições de trabalho nesta realidade e os que não possuem condição de nada. Essa relação humanidade e tecnologia cria uma interdependência que determinará um traço dominante para vários aspectos da vida futura pós pandemia COVID 19 no mundo e no Brasil. Para além disso o Brasil vive um cenário turbulento, obscurantista que não me dá segurança para dizer que há esperança.  Mas nada é para sempre.  E obscurantismo no Brasil pode se asfixiar. Mas isso é uma vontade individual. Não vejo elementos para pensar uma esperança de fato. Temos que viver e verificar o saldo negativo de tudo isso e perceber quais os rumos que vão surgir numa trajetória de retomada, pós-pandemia e pós-governo federal atual.

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ÉRICO ANDRADE – Enquanto houver dor há esperança. Ninguém que sofre por conta da precarização se acostuma com a opressão. Já estamos reagindo.