10 livros do pós-modernismo para ler antes de morrer

10 obras do pós-modernismo para ler e entender (ou não) esse monstro maravilhoso – ou ao menos se divertir lendo antes de morrer

Algumas grandes obras do pós-modernismo

Definir o que é pós-moderno (ou pós-modernismo) não é fácil.

Uma breve busca no google ou em artigos acadêmicos pode criar mais dúvidas do que respostas.

Explicações simplistas ou definições pejorativas tendem a diminuir ou simplificar um debate sobre o que o tão famigerado pós-modernismo.

Mas, afinal, o que são livros pós-modernos? Continue lendo para saber mais sobre o famigerado tema.

Para resumir algumas características antes dos livros, vamos dizer que as obras abaixo listadas podem ter:

  • Ironia e humor negro
  • Intertextualidade
  • Metaficção
  • Distorção temporal
  • Fragmentação

Confuso? Se sim, é exatamente a ideia do pós-modernismo.

(Caso queira entender o que seja este bicho, clique aqui e se divirta – ou não – no verbete da Wikipedia.)

Vamos à lista.

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Cem anos de solidão, Gabriel Garcia Marquez

Sim, o grande clássico de Garcia Márquez, o responsável pelo boom do boom latino-americano, é um romance pós-moderno por excelência.

Distorção temporal, fragmentação, intertextualidade, ironia, está tudo na grande narrativa sobre Macondo, sua ascensão e queda.

Além da grande narrativa, as inovações trazidas por Cem anos de solidão consolidaram o caminho para que outras obras seguissem na mesma trilha.

26 incríveis ilustrações do livro Cem Anos de Solidão

 

2666, Roberto Bolaño

Há muitas camadas neste romance de Roberto Bolaño (que não, não é o Chaves). Nas cinco histórias que compõem o livro, temos de tudo: a busca a um autor desconhecido; um homem prestes a surtar; assassinatos em série de mulheres; a vida do autor desconhecido.

Irônico, fragmentado, cheio de entradas e saídas, 2666 brinca com o leitor o tempo todo. Além disso, discute como se compõe um livro – mesmo que a gente nem note.

Considerado um romance pós-moderno mais completo do novo século, é acima de tudo uma leitura desafiadora e divertida.

30:MIN #179 – 2666 – Roberto Bolaño

 

A história do cerco de Lisboa, José Saramago

José Saramago não faz apenas metaficção ao narrar o famoso cerco de Lisboa na idade média, ele vai além e faz metaficção historiográfica. E, antes que isto te deixe confuso, expliquemos.

Segundo Linda Hutcheon, teórica canadense, metaficção historiográfica seria um dos grandes achados do pós-modernismo. Ao mesmo tempo, algumas narrativas, como esta de Saramago, discutem o que é a criação da narrativa (metaficção) enquanto debatem sobre o valor e questionam se a história foi como nos contaram (historiografia).

Ao colocar um não na sua revisão, o personagem principal abre espaço para a discussão desses dois temas. E, claro, para um grande romance pós-moderno.

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Matadouro Nº5, Kurt Vonnegut

De todos os livros citados, este provavelmente é o único que encaixa todas as possiblidades listadas acima – e o que mais assusta jovens leitores.

O narrador de Matadouro nº5 conta a vida de Billy Pilgrim, um optometrista, veterano da segunda guerra mundial que é abduzido por extraterrestes enquanto a narrativa – e o próprio Pilgrim – viaja no tempo.

O quê?

Isto mesmo, você não leu errado.

A partir deste plot completamente insano que Kurt Vonnegut conta sobre os bombardeiros a Dresden com ironia e humor negro. Um romance pós-moderno dos mais doidos e divertidos jamais escritor.

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O arco-íris da gravidade, Thomas Pynchon

Este é um grande livro em todos os sentidos. Setecentas páginas, gigantesco e fragmentado, cheio de referências, com o tempo distorcido – uma loucura.

O que dá para falar sobre a história é que se passar no meio da segunda guerra mundial na Inglaterra. Uma loucura do início ao fim, um livro que te deixa mais confuso – e ansioso – a cada página lida.

Considerado o melhor exemplo do que o pós-modernismo é capaz, O arco-íris da gravidade, apesar de toda loucura, é uma leitura que vale o esforço.

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Ficções, Jorge Luis Borges

Borges, precursor do pós-modernismo

A obra mais antiga da lista, também é a mais influente dentro do pós-modernismo.

Seus contos são tantos e tão importantes que fica difícil fazer uma súmula deles. Desde a reescrita de um clássico (Pierre Menard, autor de Quixote) até a biblioteca metafísica e infinita (A biblioteca de Babel), Borges abordou de tudo. Irônico, com um vívido diálogo com os clássicos, divertido, o mundo vive nesses contos maravilhosos.

Não são apenas um marco para o pós-modernismo, e sim para toda a literatura.

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Watchmen, Alan Moore

A famosa graphic novel de Alan Moore dialoga com a era clássica dos quadrinhos, Nietzsche, entre tantas outras obras. Irônica, conta a história de um mundo alternativo no qual heróis realmente existiram e como tal fato mudou a História – para bem ou para o mal.

Além da história de Alan Moore, os desenhos de Dave Gibbons acrescentam uma profundidade e um sem fim de possibilidades e sentidos à obra, aumentando seu valor enquanto texto e compreensão.

E antes que alguém diga que Watchmen não é literatura, apenas pare. Se você chegou até aqui com a mente fechada em clássicos, você não entende o que é pós-modernismo.

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O nome da Rosa, Umberto Eco

O que Umberto Eco fez em O nome da rosa não foi uma novidade, mas a forma com que fez, isso sim, foi.

Misturando dois gêneros considerados de baixa literatura, o mistério e o histórico folhetinesco, Eco proporcionou uma das narrativas mais interessantes e lidas do século passado.

Focando em dois monges, seguimos a pista dos assassinatos em uma abadia italiana. Misturando filosofia, linguística, semiologia, metaficção – sem contar o sem fim intertextual, desde os nomes dos personagens à passagens da trama –, O nome da rosa agrada quem busca uma leitura de prazer ou quem quer algo com mais camadas.

Uma boa entrada para entender o que seria uma obra do pós-modernismo, este romance te cativará a cada página lida.

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1Q84, Haruki Murakami

Apesar de toda obra do autor japonês Haruki Murakami caber nesta categoria, escolhemos esta por adequar quase todos os pontos possíveis dentro do pós-modernismo dentro das suas 2000 páginas.

Nesta versão alternativa de 1984, seguimos a história de Aomame, uma assassina especialista, suas ações e os desdobramentos deles. Por outro lado, conhecemos Tengo Kawana, um autor não conhecido que se envolve na publicação de um best-seller.

No meio dessa trama bizarra, temos de tudo: intertextualidades sem fim, referências à cultura (de Bach a Rolling Stones), ironias para todo o lado, além da discussão sobre os limites do que é ser autor.

Uma longa e desafiadora obra do pós-modernismo que encanta todos os tipos de leitores.

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O clube da luta, Chuck Palahniuk

A primeira regra d’O clube da luta é não lembrar apenas do ótimo filme de David Fincher.

Uma narrativa fragmentada, na qual, ao terminar a leitura, não se tem certeza do fim. Uma narrativa cheia de humor negro. Uma narrativa que dialoga, e critica profundamente, boa parte das obras clássicas modernas pelo seu posicionamento. Uma narrativa, pessoas, que todos deveriam ler antes ou depois de ver o filme de David Fincher.

Um dos produtos mais controversos do pós-modernismo, Clube da luta é uma grande obra que merece ser consumida e debatida por todos.

30:MIN #096 –Clube da luta e Chuck do rolê

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José Figueiredo Author

Coeditor do HL, participante do 30:MIN, idealizador e editor da Pulp Fiction. Um completo desastre na vida.