Frankenstein Moderno - Os limites entre a realidade e a ficção

O que Frankenstein, de Mary Shelley, pode nos apresentar sobre o debate entre os limites da ciência e as aplicações dela no mundo moderno?

Frankenstein

Quem leu o romance Frankenstein, de Mary Shelley, teve a oportunidade de conhecer o monstro Frankenstein e seu criador, o cientista Victor Frankenstein. A obra narra o embate entre esses dois personagens desde a concepção do monstro até a morte de seu criador. Ao longo dessas desventuras, muitas questões sobre a ciência e a medicina são levantadas, sendo a principal delas o limite da ciência.

O personagem Victor ultrapassa todos os limites da ética e da moral para criar o demônio – ele se afasta da família e amigos, rompe com a religião cristã, profana túmulos a fim de obter os materiais necessários para a criação do monstro.

“Coletava ossos dos necrotérios e profanava, com os dedos, os recônditos do corpo humano. […] O necrotério e o matadouro eram minhas fontes usuais de suprimento.” (Mary Shelley)

Depois da construção de Frankenstein, o cientista o abandona, pois possui medo, repulsa e nojo daquele demônio. Após ser abandado, o monstro tenta se inserir na sociedade e, ao falhar, se leva a questionar do porquê das suas desgraças, chegando à conclusão de que seu criador é o culpado. Por isso, sai em busca de vingança. Desta forma, detecta-se a temática que o romance de Shelley segue: o embate entre a criatura e o criador.

VEJA TAMBÉM:
5 versões cinematográficas de ‘Frankenstein’
Frankenstein: uma energia que corre há duzentos anos
6 Assombrosas Ilustrações de Frankenstein

Assim como Vitor Frankenstein, no século XX foram criadas inúmeras hipóteses e experiências sobre a criação de vida ou, pelo menos, a manipulação dela, e existem grandes exemplos disso. Os mais famosos são o experimento americano que foi realizado no ano de 1970, que consistia em fazer transplante de cabeça de macaco, e, os experimentos soviéticos que buscaram criar cães zumbis, a primeira sendo em 1928, onde um médico separou a cabeça de um cachorro do corpo e o fez sobreviver através de aparelhos que tinham a mesma função do coração e do pulmão. Outra experiência foi no ano de 1954, onde um médico costurou partes de um filhote no corpo de um cão adulto, criando assim um cachorro de duas cabeças.

Após estes experimentos terem fracassado, a sociedade continuou suas pesquisas e, com os avanços tecnológicos das últimas décadas, foi possível não criar vida, mas desenvolver partes de corpos, como braços, pernas e olhos mecânicos, que alteraram os seres humanos e puderam ajudar os deficientes. Esse novos seres humanos são definidos como ciborgues, que, por definição do dicionário Michaelis, é:

“Ser humano biônico adaptado por meios cibernéticos e mecânicos a dispositivos artificiais (pernas, braços, cabeça, visão etc.) que reproduzem órgãos e/ou membros do corpo humano, de forma a superar a capacidade e habilidades naturais do homem.”

Tanto o livro quanto as notícias apresentam para os leitores os limites do homem, principalmente no que tange a falta de ética e moral, seja do cientista Victor Frankenstein ou dos cientistas russos na criação dos “cães frankensteins”, e também demonstram os avanços tecnológicos que puderam criar os ciborgues.

REFERÊNCIAS:
SHELLEY, M. Frankenstein, ou o moderno Prometeu. Trad. de Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2004.
Definição de Cigorgue (Michaelis)
Frankenstein e cyborgs: pistas no caminho da ciência indicam o “novo eugenismo”
6 experimentos científicos entre os mais macabros já realizados (Superinteressante)

Gabriel Inácio Luz Autor

Literator por formação, jornalista por profissão. Amante de narrativas intimistas e psicológicas e jogador casual de World of Warcraft e Overwatch